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Ex-presidente da RD Congo, Joseph Kabila é condenado à morte por traição

Tribunal militar sentencia ex-chefe de Estado por conspiração com o grupo armado M23 e por planejar golpe contra o presidente congolês, Félix Tshisekedi; defesa classifica o processo como "julgamento político"
O ex-presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, sentado em uma de suas residências em Goma, em 29 de maio de 2025.

O ex-presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, sentado em uma de suas residências em Goma, em 29 de maio de 2025.

— Jospin Mwisha / AFP

30 de setembro de 2025

Um tribunal militar na República Democrática do Congo (RDC) sentenciou, nesta terça-feira (30), o ex-presidente Joseph Kabila à morte à revelia — quando o réu é comunicado oficialmente do processo e não se defende — pelo crime de “traição”. Kabila, que não esteve presente nem foi representado no julgamento na capital, Kinshasa, foi considerado culpado de cumplicidade com o grupo armado antigovernamental M23.

O ex-presidente deixou o país em 2023 e reapareceu brevemente em maio na cidade de Goma, ocupada pelo M23, no leste do país. A sua imunidade parlamentar como senador vitalício foi suspensa no final de maio para permitir o julgamento. O partido de Kabila classificou o processo como “um julgamento político”.

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Embora a RDC tenha suspendido uma moratória sobre a pena de morte no ano passado, o país não realiza uma execução desde então. A captura de Kabila pelas autoridades parece improvável no momento. Ainda cabe recurso da decisão perante o Tribunal de Cassação, mas apenas por alegações de irregularidades processuais, sem revisão do mérito do caso.

Acusações e contexto do julgamento

O promotor militar, general Lucien Rene Likulia, havia pedido a pena de morte para Kabila. Likulia acusou o ex-líder de conspirar para derrubar o presidente Félix Tshisekedi. As acusações adicionais incluem homicídio, tortura e estupro ligados às atividades do M23.

Segundo a promotoria, Kabila, em coordenação com Ruanda, buscou organizar um golpe contra Tshisekedi, com o auxílio do líder do M23, Corneille Nangaa. O presidente Tshisekedi já havia classificado Kabila como o cérebro por trás do grupo armado. Por sua vez, Kabila descreveu o governo de Tshisekedi como uma “ditadura” e prometeu agir para encerrá-la.

Conflito no leste do Congo

O grupo M23 tomou o controle de áreas no leste da RDC, uma região rica em recursos e marcada pela violência há mais de três décadas. Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam que o exército de Ruanda desempenhou um papel “crítico” na ofensiva do grupo, embora o governo ruandês negue o apoio militar.

Em junho, os governos congolês e ruandês assinaram um acordo de paz em Washington. Uma declaração de princípio com o M23 “a favor de um cessar-fogo permanente” também foi assinada no Catar em julho. No entanto, a violência persiste no terreno.

Organizações não governamentais denunciam abusos contra civis, incluindo execuções sumárias, estupros coletivos e sequestros. Uma investigação das Nações Unidas no início de setembro concluiu que todas as partes no conflito podem ter cometido crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A presença de múltiplos grupos armados e milícias no leste da RDC continua a alimentar um clima de insegurança quase permanente na região.

Joseph Kabila governou o país entre 2001 e 2019. Ele assumiu o poder após o assassinato de seu pai, Laurent-Désiré Kabila, um ex-rebelde que derrubou o ditador Mobutu Sese Seko em 1997.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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