Organizações da sociedade civil e movimentos negros criticaram a operação deflagrada pelas polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na terça-feira (28). Com mais de 100 mortos, a ação é a mais letal da história do estado.
Em nota, a Justiça Global, entidade voltada à promoção dos direitos humanos, repudiou o que considerou uma chacina e denunciou a adoção de uma doutrina de guerra como política de Estado. A organização também alertou para o agravamento das violações de direitos.
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“Não há justificativa para que uma política estatal continue a ser conduzida a partir do derramamento de sangue. A segurança pública deve garantir direitos, não violá-los. As moradoras e os moradores das favelas têm direito à vida, à integridade física e à paz — e isso não é negociável”, diz o texto.
O Instituto Sou da Paz, organização que atua na defesa da redução da violência, também reforçou a necessidade de proteção da população e o respeito aos direitos fundamentais.
“É necessário que haja uma apuração rigorosa com a devida participação do Ministério Público e de outras entidades para identificar responsabilidades individuais e coletivas diante dos resultados desastrosos desta operação”, comentou.
O Instituto Papo Reto, por sua vez, afirmou que a violência é resultado de métodos falidos do Estado em combater o tráfico de drogas.
“A segurança pública deve ser uma política de preservação da vida, e não um instrumento de extermínio e barganha política. Seguiremos lutando por justiça, por memória e por um futuro em que viver na favela não signifique viver com medo”, declarou.
A entidade ainda exigiu a suspensão imediata das operações com alto potencial de letalidade, a garantia do direito ao socorro das pessoas feridas e a atuação urgente do Ministério Público e do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudedh) na investigação e responsabilização por todas as violações de direitos cometidas.
Movimentos negros exigem justiça
A Coalizão Negra por Direitos também se manifestou, denunciando o ocorrido e o classificando como um extermínio do povo negro em territórios majoritariamente negros e pobres.
“A lógica de ‘guerra ás drogas’ é, na verdade, uma guerra contra o povo negro, travada dentro das favelas e periferias sob o pretexto de segurança pública. Cada corpo negro tombado é resultado de uma política que decide, todos os dias quem pode viver e quem deve morrer”, destacou.
A organização exigiu a responsabilização dos agentes e autoridades envolvidos, além de investigação imediata e o fim das operações letais nas favelas.
O Geledés Instituto da Mulher Negra também expressou indignação, afirmando que a operação policial “expressa um terror racial que invisibiliza a própria ideia de democracia neste país” e “retira da população negra o direito à vida, à dignidade e à cidadania”.
“Essas mortes não são acidentes. Quando um governador legítíma quem mata, ele reafirma o pacto colonial e racial que funda a nossa nação: o de que a vida negra é descartável”.