O coronel do comando do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Aristheu de Góes Lopes, foi nomeado superintendente da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).
O oficial foi exonerado do Bope em junho por autorizar uma operação policial no Morro do Santo Amaro, na Zona Sul da capital fluminense, que terminou com a morte do jovem Herus Guimarães Mendes, durante uma festa junina.
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De acordo com a Polícia Militar, o coronel não foi indiciado no Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou a operação e, portanto, não possui impedimentos legais para assumir o novo posto.
A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro na última sexta-feira (5). Aristheu assume o cargo de superintendente da Superintendência de Gestão Integrada (SUPGI), vinculada à Subsecretaria de Comando e Controle da PM. A corporação disse que a escolha ocorreu com base em “critérios técnicos e estratégias definidas pelo comando”.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alesp), contestou a nomeação.
“O próprio coronel admitiu publicamente que os agentes não seguiram os protocolos da corporação durante a trágica ação, realizada em meio a uma festa junina lotada de famílias. Diante disso, cabe o questionamento: que critérios são esses?”, afirmou em publicação em rede social.
A parlamentar também ressaltou a necessidade de repensar nomeações em cargos estratégicos da segurança pública do estado.
“É inadmissível que um oficial vinculado a uma operação marcada pela violência desproporcional e pela violação de direitos fundamentais seja alçado a um cargo de tamanha relevância na estrutura da segurança pública do estado”, destacou.
Dani Monteiro ainda acusou o governo estadual de tolerar e de ser cúmplice de práticas letais que atingem a comunidade negra e periférica.
“Mais uma vez, o governo do Rio de Janeiro sinaliza tolerância, e até mesmo cumplicidade, com práticas letais que vitimam, sobretudo, a juventude negra das favelas e periferias, perpetuando um modelo de segurança fracassado, pautado na lógica do confronto e não na preservação da vida!”, acrescentou.
Desde junho, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj acompanha o caso, prestando apoio à família e cobrando responsabilização e transparência do poder público.