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Mulheres negras são quase 70% das vítimas de feminicídio no Brasil

O estudo "Quem são as mulheres que o Brasil não protege?”, apresentado na Câmara dos Deputados, indica que 68% das vítimas de feminicídio são negras
Cruzes simbólicas em protesto contra o feminicídio no Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Cruzes simbólicas em protesto contra o feminicídio no Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

— Reprodução/Tânia Rego/Agência Brasil

27 de novembro de 2025

Um estudo da Fundação Friedrich Ebert apresentado na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (26), indica que mais da metade das mulheres mortas em função do gênero em 2024 eram negras. 

Lançado dez anos após a promulgação da Lei do Feminicídio (nº 13.104/2015), o levantamento “Quem são as mulheres que o Brasil não protege?” utiliza dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O trabalho integra a campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres” da Câmara. 

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De acordo com a publicação, os casos de feminicídio passaram de 527 casos no primeiro ano da legislação para 1.455 no último ano, o que representa um crescimento de 176% em uma década. Do total de vítimas, 68% eram negras.

Em relação a 2023, houve um aumento de 0,7% nos feminicídios, de 19% nas vítimas de tentativa de feminicídio, de 6,3% nos casos de violência psicológica e 18,02% nos casos de stalking, ato de perseguir alguém de forma violenta e obsessiva. 

A pesquisa aponta que, enquanto o feminicídio de mulheres brancas apresentou um leve recuo, esse tipo de violência aumentou entre as pardas e as pretas. Para a especialista em gênero da fundação Jackeline Ferreira Romio, os números demonstram a necessidade de considerar raça e classe na formulação de políticas públicas de combate ao feminicídio. 
“Existem populações que estão muito vulnerabilizadas e sofrem de violências múltiplas, e isso impacta em eventos extremos, como a mortalidade por feminicídio. Para que essa política chegue às mulheres negras, ela precisa ser interseccional, considerar a relação entre o racismo e a violência de gênero”, declarou, em nota da Câmara. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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