Para transformar o ambiente escolar em um espaço de respeito e inclusão antirracista desde a infância, a Motriz desenvolveu o Guia para Construção de Protocolos de Combate ao Racismo nas Escolas. O material propõe estratégias para que redes de ensino e unidades escolares criem procedimentos de acolhimento às vítimas de racismo e promovam a equidade racial no cotidiano escolar.
A publicação reúne ferramentas para garantir que as instituições tenham diretrizes claras e ações concretas para lidar com episódios de racismo. O guia já vem sendo implementado em escolas de São Paulo, Espírito Santo, Sergipe e Amapá.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
O material busca coibir casos de racismo diante do agravamento dos episódios na educação básica. De acordo com pesquisa do Observatório Fundação Itaú, em parceria com o Equidade.Info, 54% dos professores da educação básica no Brasil já presenciaram situações de racismo envolvendo estudantes em sala de aula. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice é de 48%, chegando a 67% nos anos finais.
O material é voltado para servidores das secretarias de educação e tem sido utilizado na capacitação de equipes para o fortalecimento das redes educacionais locais.
Para Geneluça Cruz Santana, chefe do Serviço de Educação do Campo e Diversidade da Secretaria de Educação de Sergipe, o protocolo tem contribuído para a prevenção e o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar.
“Visa orientar a equipe diretiva da escola nas ações e na construção de ambientes saudáveis e preparados para o enfrentamento ao racismo em suas várias formas”, afirmou em entrevista à Alma Preta.
O documento orienta desde a identificação de incidentes até a gestão de situações mais graves, passando pela responsabilização de agressores e pela promoção de ações pedagógicas de conscientização.
“Quando implementamos essas estratégias, damos um passo à frente na busca pela equidade racial e o respeito mútuo nas instituições de ensino”, destaca a consultora da Motriz, Sueli Nunes, em nota à imprensa.
Entre os pontos destacados está a definição precisa do que constitui racismo, para que os casos sejam encaminhados de forma adequada, além das responsabilidades da equipe gestora, dos professores e da comunidade escolar.
Além das diretrizes práticas, o material reúne referências de autores negros e obras literárias que aprofundam a compreensão teórica do racismo, abordando temas como racismo estrutural, jogos e brincadeiras afro-brasileiras e planos de aula sobre consciência negra.