A Iniciativa Negra, o Movimento Independente Mães de Maio, a Conectas Direitos Humanos e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania avançaram na formalização e instituição do Centro de Memória às Vítimas de Violência de Estado (CMVV) na cidade de Santos, litoral de São Paulo.
As chaves do edifício que sediará o memorial em homenagem às vítimas da violência do Estado foram entregues no dia 1 de dezembro. Será o primeiro equipamento público coletivo a pautar políticas de cuidado e de bem-viver da população negra e periférica, a partir da memória e do reconhecimento do Estado como principal responsável pela manutenção de desigualdades sociais e raciais, em um sistema que promove violências diversas, que afetam essas populações de forma desproporcional.
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“Estar nesse espaço é materializar um compromisso histórico com a vida e com a dignidade da população negra. O Centro de Memória às Vítimas de Violência de Estado nasce como um lugar de reafirmação da nossa humanidade, de disputa de narrativas e de construção de políticas públicas que enfrentem a desigualdade racial que estrutura o país. Para a Iniciativa Negra, gerir este equipamento é uma realização profunda e um passo urgente para que a memória e a justiça sejam pilares de um futuro onde viver não seja privilégio, mas um direito”, diz Nathália Oliveira, socióloga e cofundadora da Iniciativa Negra.
O equipamento público funcionará no centro histórico da cidade de Santos pelos próximos 20 anos, o que significa um primeiro passo para desenvolvimento de uma agenda política de justiça social e racial onde viver seja um direito de todos e não concessão, a partir da construção colaborativa entre as organizações envolvidas.
O centro terá programação diversificada, como exposição, acervo de memória, atividades culturais e educacionais. Também vai contar com uma equipe multidisciplinar de profissionais para apoio e acolhimento de famílias vítimas de violência de Estado, em campos como saúde e área jurídica.
“Este projeto nasce do compromisso inegociável com a manutenção da vida do povo negro e periférico. É uma resposta direta à lógica genocida que historicamente tenta transformar nossos filhos e parentes em números frios e estatísticas vazias. Aqui, a memória é nossa maior arma, uma ferramenta de luta, de proteção e de verdade. O CMVV será um espaço de acolhimento real, com suporte às famílias que enfrentam a violência de Estado. Um lugar para que nenhuma história seja silenciada e para que nosso luto continue se transformando em luta”, afirma Débora Maria da Silva, cofundadora do Movimento Mães de Maio.
Um calendário de ações começa a ser cumprido já em dezembro, para viabilização da abertura oficial do espaço ainda no primeiro trimestre de 2026.