Quatro trabalhadores escravizados durante a ditadura militar, entre 1970 e 1980, em uma propriedade da Volkswagen do Brasil, no Pará, acionaram a Vara do Trabalho de Redenção, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8), reivindicando reparação pelas condições desumanas a qual foram submetidos.
O caso ocorreu na Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA), pertencente à Companhia Vale do Rio Cristalino Agropecuária Comércio e Indústria (CVRS), uma subsidiária da Volkswagen. Segundo informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), à época, o local, com cerca de 140 mil hectares, recebeu incentivos fiscais e recursos públicos para a criação de gado. Com isso, a propriedade se tornou um dos maiores polos do setor.
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A Comissão Pastoral da Terra (CPT), que acompanha o andamento da ação, documentou as violações sofridas. Os trabalhadores eram atraídos pela companhia por intermediários que faziam a ponte entre quem escraviza e as vítimas, sob a promessa de boa remuneração para a derrubada de árvores nativas, formação de pastagens e serviços de construção civil.
Uma das vítimas foi aliciada ainda na adolescência, com outros quatro amigos, para trabalhar em um dos lotes da propriedade. Eles permaneceram no local por cerca de três meses, sob coação, instalados em barracas precárias e sem acesso à higiene pessoal.
Os processos tiveram prioridade reconhecida pelo Poder Judiciário em virtude da idade avançada das vítimas e da gravidade do caso e sucedem uma ação civil pública em que o Ministério Público do Trabalho (MPT), em setembro, pediu R$ 165 milhões por danos morais coletivos pelo mesmo motivo.
À época, o órgão informou que as violações cometidas incluem restrição de liberdade, vigilância armada, servidão por dívida, alojamento insalubre, alimentação precária, falta de água potável e atendimento médico para malária. Ao final da ação, a empresa foi condenada pelo TRT8. A Volkswagen pode recorrer da sentença.
Texto com informações da Agência Brasil.