Na quinta-feira (15), o ministro dos Investimentos, Comércio e Indústria do Quênia, Lee Kinyanjui, declarou que o país africano fechou um acordo preliminar com a China de isenção para quase todas as suas exportações para Pequim. O acordo vem em um momento em que Nairóbi busca compensar o impacto de tarifas dos Estados Unidos.
Segundo comunicado do ministro Lee Kinyanjui divulgado nas redes sociais, o acordo Quênia-China visa diversificar os mercados quenianos e “reduzir desequilíbrios comerciais”.
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“A introdução da tarifa zero debloqueará um vasto potencial econômico para os exportadores quenianos, permitindo a diversificação de nossa cesta de exportações, especialmente no setor agricultor, o principal de nossa economia. Esse avanço deve gerar oportunidades consideráveis de emprego e trazer benefícios tangíveis à nossa economia”, disse o ministro.
Ainda segundo o comunicado, o acordo permitirá que 98,2% dos produtos quenianos entrem na China sem tarifas de importação, eliminando de forma ampla as tarifas sobre suas exportações agrícolas. Esse aspecto foi descrito pelo Ministério do Comércio queniano como “um progresso monumental”. A pasta apontou ainda que o acordo mostra o “comprometimento da China em fortalecer nossos laços de comércio ainda mais”.
Segundo informações da agência francesa AFP, porém, o acordo ainda precisa de ser ratificado pelo parlamento queniano.
Com uma população de cerca de 58 milhões de pessoas — maior que a de todos os países da América do Sul, exceto o Brasil —, o Quênia é uma das dez maiores economias africanas. Colonizado pelo Reino Unido, o país conquistou sua independência em 1963. Banhado pelo Oceano Índico, o Quênia tem fronteiras com Etiópia, Somália, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda.
Acordos e tensões com os Estados Unidos
Diversas nações africanas têm buscado a China e outros parceiros comerciais desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as tarifas sobre países em todo o mundo no ano passado. No caso do Quênia, as tarifas foram de 10%, mas pesa também o fim de um acordo comercial entre EUA e 32 países africanos — em tradução livre, a Lei de Crescimento e Oportunidade para a África (AGOA, na sigla em inglês).
Na quarta-feira (14), a AGOA foi estendida por três anos pela Casa dos Representantes dos EUA — equivalente à Câmara dos Deputados. Apesar disso, a medida ainda precisa ser aprovada no Senado ou sancionada como lei. A possível extensão do acordo foi descrita pelo Ministério do Comércio queniano como um “marco crítico” das relações entre EUA e Quênia.
Em resposta a relatos de que os EUA estariam agindo para atrasar os acordos entre Quênia e China, o chanceler queniano, Korir Sing’oei, publicou nas redes sociais que nega tais interferências.
“Isso é completamente infundado […]. Não vemos tensões entre a conclusão de nosso acordo de acesso aos mercados com a China, por um lado, e, de outro, nosso robusto impulso pela nova autorização da AGOA, assim como um acordo de comércio bilateral paralelo com os EUA”, declarou.