Autoridades da África do Sul anunciaram nesta quarta-feira (17) a prisão e a expulsão de sete cidadãos do Quênia acusados de trabalhar sem a documentação exigida em um programa do governo dos Estados Unidos que concede status de refugiado a “afrikaners”, minoria branca sul-africana. A informação foi divulgada pelo Departamento de Assuntos Internos do país.
Segundo o governo sul-africano, os quenianos atuavam em um centro de processamento de pedidos de reassentamento nos Estados Unidos, localizado em Joanesburgo. Durante uma operação realizada na terça-feira (16), foi constatado que os sete estrangeiros possuíam apenas vistos de turismo, o que configura violação das condições de entrada no país.
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As autoridades informaram que os envolvidos receberam ordens de deportação e ficarão proibidos de retornar à África do Sul por um período de cinco anos.
Programa dos EUA para ‘afrikaners’
O programa de reassentamento foi anunciado em maio pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a oferecer status de refugiado a integrantes da minoria branca “afrikaner”. A iniciativa foi justificada pela Casa Branca com alegações de discriminação e até de “genocídio” contra esse grupo, acusações rejeitadas pelo governo sul-africano.
De acordo com o Departamento de Assuntos Internos, os Estados Unidos contrataram cidadãos quenianos ligados a uma organização cristã sediada no Quênia para acelerar a análise dos pedidos de reassentamento feitos por sul-africanos brancos.
Após o anúncio do programa, um primeiro grupo de cerca de 50 “afrikaners” foi transferido para os Estados Unidos em um voo fretado em maio. Outros sul-africanos brancos seguiram posteriormente em número menor, por meio de voos comerciais.
Reações do governo sul-africano e dos EUA
O Departamento de Assuntos Internos da África do Sul afirmou que a operação ocorreu após relatórios de inteligência apontarem que cidadãos quenianos haviam ingressado no país como turistas e assumido atividades profissionais de forma irregular. Segundo o governo, nenhum funcionário norte-americano foi detido durante a ação, que não ocorreu em área diplomática.
A pasta informou ainda que nenhum solicitante de refúgio foi abordado durante a operação e que autoridades dos Estados Unidos e do Quênia foram notificadas sobre o caso.
Após a divulgação da operação, os Estados Unidos reagiram. Em declaração à imprensa norte-americana, o porta-voz Tommy Pigott afirmou que qualquer interferência em operações de reassentamento conduzidas pelos EUA é “inaceitável” e que o governo Trump buscava esclarecimentos imediatos junto ao governo sul-africano.
O governo da África do Sul respondeu que havia indícios de coordenação entre trabalhadores sem documentação e “autoridades estrangeiras”, o que, segundo o comunicado, levanta questionamentos sobre intenção e protocolo diplomático. O país afirmou compartilhar com os Estados Unidos o compromisso de combater imigração irregular e abuso de vistos
Tensões diplomáticas entre África do Sul e EUA
As relações entre África do Sul e Estados Unidos se deterioraram desde o início do atual mandato de Donald Trump. O governo estadunidense criticou políticas sul-africanas, expulsou o embaixador do país em março e impôs tarifas comerciais de 30% sobre produtos sul-africanos.
As acusações de perseguição contra “afrikaners” fazem parte desse contexto. O governo sul-africano sustenta que a violência no país afeta de forma majoritária a população negra e que políticas de inclusão econômica buscam enfrentar desigualdades herdadas do apartheid.
O impasse diplomático levou os Estados Unidos a boicotarem a cúpula do G20 realizada na África do Sul em novembro. Neste mês, Washington assumiu a presidência rotativa do grupo e informou que o país africano não será convidado para eventos organizados sob sua gestão.