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Projeto de lei propõe prioridade para crianças indígenas no SUS

Proposta estabelece monitoramento obrigatório de indicadores de saúde e prevê atuação emergencial em crises humanitárias
Crianças indígenas do povo Rikbaktsa brincam com bola na aldeia Pé de Mutum, Terra Indígena (TI) Japuíra, no Mato Grosso.

Crianças indígenas do povo Rikbaktsa brincam com bola na aldeia Pé de Mutum, Terra Indígena (TI) Japuíra, no Mato Grosso.

— Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

28 de março de 2026

Tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei (PL) que prevê prioridade absoluta na atenção à saúde de crianças e adolescentes indígenas no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Apresentado pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), o PL nº 6434/2025 altera a Lei Orgânica nº 8080/1990, que regula e organiza o funcionamento dos serviços de saúde do Brasil, para garantir a atuação intersetorial imediata em casos de crise humanitária ou de saúde. 

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O projeto determina a  obrigatoriedade da vigilância sanitária, epidemiológica e do monitoramento trimestral de indicadores de desnutrição, mortalidade e morbidade infantil nos territórios indígenas, especialmente naqueles localizados em áreas de conflito ou vulnerabilidade extrema. 

O texto legislativo também propõe a disponibilização trimestral dos dados de mortalidade e morbidade indígena pelo Ministério da Saúde, setorizados por etnia, idade e causa, respeitando as normas de proteção de dados pessoais. 

Na justificativa da proposta, o parlamentar recorda as crises sanitárias que impactam a vida das etnias indígenas, com destaque para os Yanomami, que enfrentam problemas de saúde em decorrência do avanço do garimpo. 

Uma pesquisa do Instituto Desiderata, publicada em 2025, indica que a taxa média de mortalidade por câncer entre crianças e adolescentes indígenas é quase o dobro da taxa registrada entre as brancas (76,9 óbitos por milhão).

“A situação é um claro indicativo da falência das estruturas de proteção do Estado e da violação do princípio constitucional da prioridade absoluta à criança”, diz trecho do PL.

A matéria foi recebida pela Comissão de Saúde (CSaúde), pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde será analisada em caráter conclusivo. 

Na apreciação conclusiva, o projeto é votado apenas pelas comissões designadas, dispensando a deliberação pelo Plenário. Em caso de divergência ou recurso assinado por 52 deputados, o PL é enviado para votação dos parlamentares. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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