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Série propõe letramento crítico sobre racismo estrutural no Brasil

Com Sueli Carneiro, Cida Bento, Salloma Salomão e Lia Schucman, a produção dirigida por Val Gomes fica disponível na plataforma Sesc Digital
Mulheres negras enfileiradas e olhando para a frente.

Mulheres negras enfileiradas e olhando para a frente.

— Olhar imaginário/SescTV

4 de abril de 2026

A série documental “Coleção Antirracista”, dirigida por Val Gomes, revisita o percurso do racismo no Brasil em oito minidocumentários que analisam as bases intelectuais, políticas e sociais do racismo estrutural brasileiro. A produção estreia em 7 de abril no SescTV, sempre às terças-feiras, às 22h, e fica disponível sob demanda na plataforma Sesc Digital.

Com episódios curtos e dinâmicos, a série propõe um exercício de letramento crítico sobre a formação histórica do Brasil, conectando passado e presente para compreender como as desigualdades raciais foram construídas e por que ainda persistem.

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Ao longo dos capítulos, intelectuais e pesquisadores como Sueli Carneiro, Cida Bento, Salloma Salomão e Lia Schucman analisam temas centrais da história brasileira — da colonização e da escravidão às políticas de branqueamento, passando pelas disputas contemporâneas em torno das ações afirmativas.

O primeiro episódio, “O Mito da Democracia Racial”, revisita uma das ideias mais difundidas sobre o Brasil no século XX: a de que o país teria construído uma convivência harmoniosa entre diferentes grupos raciais.

O programa examina como essa noção foi formulada e difundida pelas elites intelectuais e políticas, muitas vezes servindo para ocultar desigualdades profundas. A partir dessas reflexões, o episódio discute ainda o papel do colonialismo, da miscigenação forçada e das teorias eugenistas na construção dessa narrativa.

Leia mais: Como a ditadura usou o mito da democracia racial para negar existência do racismo no Brasil

Ao abordar as origens do racismo no país, a filósofa Sueli Carneiro, referência no pensamento antirracista brasileiro, destaca um dos aspectos mais silenciados da formação social brasileira: a violência sexual que atravessou o processo colonial e marcou a própria ideia de miscigenação.

“A miscigenação é, em primeiro lugar, produto do estupro colonial que foi praticado pelo colonizador sobre mulheres indígenas, primeiramente, e posteriormente sobre mulheres africanas escravizadas”, afirma.

A psicóloga e pesquisadora Cida Bento observa que o argumento da miscigenação ainda é frequentemente mobilizado para negar a existência do racismo no Brasil.

“Toda vez que a gente quer colocar o dado cor/raça em um determinado cadastro para ver a situação de negros e brancos, as pessoas dizem: mas ninguém sabe quem é negro e quem é branco no Brasil. Somos tão miscigenados”, comenta.

Ao longo da série, os episódios percorrem temas fundamentais da história brasileira, como os séculos de escravidão, a exclusão da população negra do sistema educacional, as disputas em torno das políticas de cotas e as desigualdades no mundo do trabalho.

Cada capítulo busca revelar como decisões políticas e construções ideológicas contribuíram para consolidar hierarquias raciais que atravessam a sociedade brasileira até hoje.

Leia mais: STF reconhece racismo estrutural no Brasil e determina medidas de enfrentamento pelo poder público

A série “Coleção Antirracista” reúne uma equipe majoritariamente negra e conta com curadoria do historiador Bruno Garcia.

Em episódios de cerca de 12 minutos, a série combina reflexão histórica e depoimentos de especialistas para construir uma narrativa acessível e crítica sobre o racismo estrutural, convidando o espectador a compreender suas origens e refletir sobre caminhos de transformação.


 

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