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Entenda quem é Carolina Sthela, mulher presa por agredir trabalhadora doméstica

Condenada por calúnia e desvio de R$ 20 mil, Carolina Sthela foi detida no Piauí quando tentava fugir com o marido e o filho de seis anos
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa por agredir trabalhadora doméstica no Maranhão.

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa por agredir trabalhadora doméstica no Maranhão.

— Reprodução/Redes sociais

8 de maio de 2026

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, 36 anos, está presa desde quinta-feira (7) acusada de agredir uma trabalhadora doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses. Natural de São Luís (MA), ela atuava como consultora de gestão administrativa e financeira. O caso ocorreu no dia 17 de abril, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís.

A vítima, que é uma jovem negra, trabalhava na residência da empresária. O relato das agressões veio a público após a divulgação de áudios enviados pela própria patroa a um grupo de mensagens. Nas gravações, anexadas ao inquérito policial, ela afirma que a doméstica “não era pra ter saído viva”.

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Carolina foi presa em Teresina (PI), quando abastecia o carro em um posto de gasolina com o marido e o filho de seis anos. Os policiais afirmaram que a empresária tentava fugir. A defesa nega a acusação.

O passado de Carolina Sthela na Justiça inclui pelo menos dez processos. Em 2024, ela foi condenada por calúnia contra uma ex-babá. A pena de seis meses em regime aberto foi convertida em serviços comunitários. A Justiça também determinou o pagamento de R$ 4 mil por danos morais. A vítima afirma que o valor nunca foi pago.

A ex-babá começou a trabalhar na casa da empresária aos 17 anos. Ela contou que o pagamento sempre ocorreu por meio de contas de terceiros, nunca diretamente por Carolina. 

A demissão veio após a profissional ser acusada de furto pela empregadora. A ex-babá nega o crime e afirma que as câmeras de segurança do imóvel comprovariam sua inocência.

Fraude em empresa e omissão fiscal

Antes de abrir os próprios negócios, Carolina trabalhou como assistente de recursos humanos e secretária em uma escola de natação de propriedade de sua irmã. A parceria terminou na Justiça. Carolina e o marido foram condenados por desviar mais de R$ 20 mil da empresa.

De acordo com o processo, o casal recebeu mensalidades de clientes em contas bancárias pessoais entre dezembro de 2020 e março de 2021. O dinheiro nunca foi repassado à escola de natação.

Carolina atuava como franqueada na área de consultoria. Dados da Receita Federal mostram que ela foi sócia de duas empresas, ambas encerradas em 2024 por omissão de declarações fiscais.

Uma delas, registrada em sociedade com o marido, oferecia recrutamento e seleção, consultoria empresarial e assessoria de cobrança. A outra, de propriedade exclusiva dela, atuava no comércio varejista de brinquedos e artigos recreativos.

O fechamento por inaptidão ocorre quando empresas deixam de enviar obrigações fiscais dentro do prazo. A medida cancela o CNPJ, gera bloqueios operacionais e pode resultar em multas. Apesar disso, Carolina e o marido continuam oferecendo serviços de consultoria financeira como franqueados.

Leia mais: Mulher que torturou trabalhadora doméstica grávida já foi condenada por furto, diz OAB

Áudios e versão de Carolina Sthela sobre as agressões

O caso mais recente ocorreu no dia 17 de abril, na residência do casal, no bairro Miritiua, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. A vítima, uma jovem negra de 19 anos grávida de cinco meses, atuava como trabalhadora doméstica. Acumulava funções de limpeza, cozinha, lavanderia e cuidados com o filho de seis anos da empregadora.

Carolina enviou áudios a um grupo de mensagens detalhando as agressões. As gravações foram anexadas ao inquérito policial. Em uma delas, ela afirma: “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo.”

Em outro trecho, Carolina diz que a vítima “não era pra ter saído viva”. A empresária também relatou que recebeu em casa um homem armado para ajudá-la a pressionar a empregada. “Ele já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava”, contou.

A jovem começou a trabalhar na casa da empresária no início de abril. O contato ocorreu por um aplicativo de mensagens. Não houve acordo formal sobre o salário.

A jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. A jovem recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviço. O pagamento foi feito em parcelas, por transferências bancárias em nome de terceiros. Ela afirma nunca ter recebido dinheiro diretamente da patroa.

Carolina Sthela em helicóptero, após ser presa em Teresina (PI). (Créditos: Reprodução/Kassio Cavalcante/Conecta Piauí)

Prisão e tentativa de fuga

A Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de Carolina na quinta-feira (7). Na véspera, policiais foram até a casa dela para intimá-la a depor, mas ela já havia deixado o estado.

Carolina foi presa em Teresina (PI), no fim da manhã desta quinta, quando abastecia o carro em um posto de gasolina. Ela estava com o marido e o filho de seis anos. Segundo delegados ouvidos pela imprensa, a empresária tentava fugir. As autoridades afirmaram que ela pretendia seguir para o litoral do Piauí ou para Manaus. A defesa nega a acusação.

A advogada Nathaly Moraes afirmou que Carolina levou o filho ao Piauí porque não tinha familiares no Maranhão para cuidar da criança. A defesa também disse que a empresária não pretende se omitir e que responderá ao processo.

Carolina Sthela disse em nota à imprensa  que colabora com as investigações e repudia qualquer forma de violência. O texto pede que não haja “julgamento antecipado” e que o caso seja apurado com base em provas.

A empresária segue presa preventivamente. O inquérito está na 21ª Delegacia Policial do Araçagy, no Maranhão.

Leia mais: Mulher que agrediu e ameaçou trabalhadora doméstica é presa após fugir do Maranhão

Texto com informações do g1 e TV Mirante.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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