PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Para além do 13 de maio: 10 filmes que provocam o debate sobre reparação histórica no Brasil

Seleção reúne obras que abordam memória, resistência e identidade da população negra, propondo uma reflexão crítica sobre os limites da abolição e a urgência da reparação histórica no país
"Alma no Olho", filme de Zózimo Bulbul.

"Alma no Olho", filme de Zózimo Bulbul.

— Reprodução/Revista Usina

13 de maio de 2026

Mais do que uma data histórica, o 13 de maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea, em 1888, convida a uma revisão crítica sobre o que, de fato, significou a abolição da escravidão no Brasil.

É nesse ponto que ecoa a provocação presente na música “14 de Maio”, de Lazzo Matumbi — que questiona o que aconteceu com a população negra no dia seguinte à assinatura da Lei Áurea e evidencia a ausência de políticas de reparação após a liberdade formal.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A partir dessa perspectiva, a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) fez uma curadoria com dez filmes e documentários disponíveis, on-line, no YouTube e na Plataforma Todesplay.

Ao reunir essas produções, a associação propõe uma reflexão crítica sobre o Brasil contemporâneo, evidenciando que a abolição da escravidão não significou o fim das desigualdades raciais, mas sim um período marcado pelo abandono e pela marginalização sistemática da população negra.

Os filmes ajudam a compreender o presente e a pensar no futuro, reforçando a importância de ampliar o debate sobre reparação em um país onde o racismo estrutural ainda define oportunidades e trajetórias.

Confira a seguir:

1. “Alma no Olho” (1973) – YouTube

Dirigido por Zózimo Bulbul, o curta é uma poderosa metáfora visual sobre a experiência negra no Brasil. Por meio da linguagem corporal, o filme conecta ancestralidade africana, colonização e o processo de libertação, propondo uma reflexão sobre identidade e consciência.

2. “Abolição” (1988) – YouTube

Também dirigido por Zózimo Bulbul, o documentário investiga o que aconteceu com a população negra no século seguinte à assinatura da Lei Áurea. Ao evidenciar a ausência de políticas públicas e o silenciamento histórico, o filme se conecta diretamente à ideia de “falsa abolição” e à urgência do debate sobre reparação histórica.

3. “Família Alcântara” (2006) – Plataforma Todesplay

O documentário, produzido por Lilian Solá Santiago e Daniel Solá Santiago, acompanha a trajetória de uma família de origem angolana escravizada no Brasil e sua resistência ao longo dos séculos. A preservação de práticas culturais evidencia a força da memória e da ancestralidade como formas de reparação simbólica.

4. “Por Gerações” (2019) – Plataforma Todesplay

O curta-metragem foi dirigido por Leila Xavier e destaca o legado de Iyá Nitinha e a continuidade das tradições afro-brasileiras, especialmente no campo religioso. Ao mostrar a permanência dessas práticas, a obra reforça a importância dos territórios de resistência cultural.

5. “Filhas de Lavadeiras” (2019) – YouTube

Produzido por Edileuza Penha, curta apresenta histórias de mulheres negras que acessaram a educação graças ao esforço de suas mães. Ao evidenciar trajetórias de ascensão e resistência, o filme aponta caminhos possíveis para o futuro.

6. “Guia das Revoltas Negras (2020) – Plataforma Todesplay

A produção percorre diferentes dimensões da insurgência negra, abordando desde práticas de saúde até religiosidades e tecnologias. Ao evidenciar formas históricas de resistência, a série reforça que a luta por direitos sempre esteve presente. A produção foi realizada e dirigida pelo coletivo Lentes Malungas, composto pelas cineastas Aline Rocha, Anna Raquel e Thayna Lemos.

7. “Confluências” (2020) – Plataforma Todesplay

Apresenta o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, propondo a “confluência” como união de saberes e territórios em uma lógica de ancestralidade e compartilhamento. Ao valorizar modos de vida marginalizados, o filme dialoga com a reparação histórica ao afirmar práticas que resistem às desigualdades do pós-abolição.

8. “Utopia” (2021) – Plataforma Todesplay

Dirigido por Rayane Penha, o documentário acompanha a trajetória de uma filha que busca reconstruir a trajetória do pai, um garimpeiro que morreu no exercício do trabalho. A partir de arquivos pessoais, como fotos, vídeos e cartas enviadas à família, o filme revela as condições duras e as vivências no garimpo, propõe um olhar sensível sobre vidas atravessadas por desigualdades estruturais, e evidencia como a precarização do trabalho e a falta de acesso a direitos dialogam diretamente com o legado do pós-abolição, reforçando a urgência da reparação histórica no país.

9. “Lebara – As Pombagiras protegem todo mundo, mas defendem principalmente as mulheres e as afeminadas” (2021) – Plataforma Todesplay

O curta documental dirigido por Maja Vargas e Patrícia Guimarães, que explora a figura da Pombagira no universo afro-brasileiro. Ao destacar seu papel como entidade de proteção e acolhimento, especialmente para mulheres e pessoas afeminadas, o filme evidencia as espiritualidades afro-brasileiras como espaços de resistência e cuidado. Nesse sentido, a obra se conecta ao debate sobre reparação histórica ao reafirmar saberes e práticas historicamente marginalizadas, que seguem fundamentais diante das desigualdades herdadas do pós-abolição.

10. “Pretas da História” (2023) – Plataforma Todesplay

Dirigida e roteirizada por Danielle Valentim, a série resgata trajetórias de mulheres negras apagadas pela narrativa oficial, como Dandara dos Palmares e Tereza de Benguela. Ao reposicionar essas figuras, a obra contribui para a reconstrução da memória coletiva e para o reconhecimento de protagonismos historicamente invisibilizados.

Ao reunir essas produções, a proposta é provocar uma reflexão crítica sobre o Brasil contemporâneo, evidenciando que a abolição da escravidão não significou o fim das desigualdades raciais. Pelo contrário, inaugurou um período marcado pela ausência de políticas de inclusão e pela marginalização sistemática da população negra.

Mais do que revisitar o passado, esses filmes ajudam a compreender o presente e a pensar no futuro. Em um país onde o racismo estrutural ainda define oportunidades e trajetórias, ampliar o debate sobre reparação histórica é fundamental para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Leia mais: Nove filmes para conhecer a história do cinema negro no Brasil

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN)

    Criada em 2016, a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, apartidária e com articulação, mobilização, incidência política, ações e representação nas cinco regiões do país. Desde sua criação, a associação defende o fortalecimento das Ações Afirmativas como princípio e estratégia política fundamental para a garantia da inclusão da população negra no setor audiovisual e para o avanço na luta de combate ao racismo no Brasil. A APAN é fruto de uma articulação histórica de cineastas e profissionais do audiovisual brasileiro voltadas a potencializar as políticas públicas e as ações de mercado que fomentem e ampliem o audiovisual negro no país. A APAN, tem como eixo central para sua incidência a articulação política, pautar e tensionar a construção de caminhos para o audiovisual brasileiro atento a um debate racial, de gênero e territorialidade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano