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Filme documenta saberes e memórias de mulheres Kalunga

Entre rezas, festas e plantas medicinais do Cerrado, documentário acompanha o cotidiano de mestra quilombola em seu território
Mestra Percília.

Mestra Percília.

— Divulgação/Bia Carvalho

21 de junho de 2026

Há cerca de 300 anos, o povo Kalunga habita o Cerrado da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás, formando o maior território quilombola do Brasil. Um recorte dos saberes tradicionais e modos de vida desse povo, guardados e transmitidos especialmente pelas mulheres, foi registrado no documentário “Percília”. O curta-metragem estreou no dia 19 de junho no 27º FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

Gravado em 2025, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Percília acompanha o cotidiano de Percília dos Santos Rosa, mestra raizeira, artesã, dançarina e puxadora de sussa da comunidade quilombola Vão de Almas, pertencente ao Território Kalunga. O filme é dirigido pela própria Percília e pela cineasta goiana Bia Carvalho. 

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Entre os saberes sobre as plantas do Cerrado, a convivência com a família, cantos, rezas e celebrações tradicionais, o documentário revela a relação profunda da mestra com a terra, a água e os modos de vida de seu território. Reflete também a importância das mulheres Kalungas na preservação cultural, sustentação e transmissão de conhecimentos entre gerações. 

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A pré-estreia do filme aconteceu em maio, no 9º RAÍZES – Grande Encontro de Raizeiros, Parteiras, Benzedeiras e Pajés na Chapada dos Veadeiros. Foi na 4ª edição deste mesmo encontro, em 2019, onde Bia Carvalho e Percília se conheceram.

Segundo a cineasta, o curta nasceu do desejo de caminhar ao lado da mestra e registrar formas de existência conectadas à coletividade, às raízes e aos saberes medicinais do Cerrado. “Desde o primeiro dia, senti uma grande força na presença de Percília, em sua relação com o território e na maneira como compartilha os conhecimentos herdados de seus ancestrais”, afirma Bia. 

Para Percília dos Santos Rosa, ser gravada dentro do quilombo e junto à sua família e comunidade é uma grande conquista a ser celebrada. “Quero ser bem vista e valorizada pelo meu trabalho, pela minha força, pela minha coragem. Essa é uma história que eu quero que fique pro mundo inteiro ver, é pra todo saber que eu sou uma kalungueira do Vão de Almas”, destaca a mestra. 

Depois do 27º FICA, o curta também será exibido, como forma de contrapartida, em três comunidades pertencentes ao Território Kalunga: Ribeirão dos Bois, em Teresina de Goiás; na casa da mestra Percília, no Vão de Almas; e no Engenho II, em Cavalcante.

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Confira o trailer do documentário “Percília”:

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