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RD Congo marca 1º gol em Copas e arranca empate de Portugal: ‘Alegria imensa’

Estreia congolesa na Copa do Mundo de 2026 foi coroada com gol e ponto inéditos para a seleção africana; em São Paulo, a Alma Preta acompanhou um grupo de imigrantes congoleses que se reuniu para torcer pelo time
Yoane Wissa marca o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026

Yoane Wissa marca o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026

— Takuya Yoshino/Yomiuri/The Yomiuri Shimbun via AFP

17 de junho de 2026

Nesta quarta-feira (17), a seleção da República Democrática do Congo marcou um gol pela primeira vez em uma edição de Copa do Mundo em um empate que garantiu também o primeiro ponto da seleção africana em mundiais.

O feito histórico foi alcançado já na estreia pelo torneio, em uma partida equilibrada contra uma seleção de Portugal recheada de estrelas e apontada como uma das favoritas a vencer a Copa sediada por Canadá, Estados Unidos e México.

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Aos 49 minutos do primeiro tempo da partida, realizada em Houston, nos EUA, o atacante congolês Yoane Wissa, do time inglês Newcastle, subiu mais alto que a defesa portuguesa e marcou de cabeça o gol histórico da seleção africana. A cabeçada de Wissa contra a meta de Portugal empatou a partida.

O placar estava aberto desde o minuto cinco do jogo, quando o meio-campista português João Neves, do time francês PSG, abriu o placar no estado norte-americano do Texas. A partida seguiu empatada até o final e terminou com o placar de 1×1.

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O camisa 20 Yoane Wissa comemora após marcar o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026
O camisa 20 Yoane Wissa comemora após marcar o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026 (Foto: Takuya Yoshino/Yomiuri/The Yomiuri Shimbun via AFP)

Em São Paulo, a Alma Preta acompanhou a partida de estreia da RD Congo ao lado de imigrantes congoleses, que se reuniram na livraria Casa Marx para torcer pelos Leopardos, apelido da seleção congolesa. O evento foi organizado pelo coletivo de congoleses “A Voz do Congo”, que denuncia a crise humanitária causada pelo conflito em curso no país africano.

“Para nós, só participar de uma Copa do Mundo já é uma alegria imensa. E imagina, hoje, a gente marcou o nosso primeiro gol na história da Copa do Mundo. […] Imagina para os jovens que estão lá no Congo, na parte Leste do país — onde tem o conflito —, vivendo esse momento”, diz o congolês Steve Mupepe, analista em gestão de tecnologia da informação, em entrevista à Alma Preta.

A região leste da RD Congo é palco de um conflito protagonizado pelo grupo armado M23, apoiado por Ruanda, que enfrenta militares congoleses pelo controle de áreas ricas em minerais como cobalto. O conflito, que dura décadas, já deixou milhões de mortos e refugiados e acumula denúncias de violações dos direitos humanos. A Alma Preta esteve na RD Congo e realizou uma série de reportagens sobre o conflito.

“Deus sabe o choro do povo. Eles [os jogadores da seleção congolesa] estão honrando o choro das mulheres da parte leste da RD Congo. O Congo há 30 anos está em guerra e esquecido e a mídia não falava, não olhava pela RD Congo. Um país cheio de riquezas e chorando pela perda dos seus filhos. E, hoje, está sendo honrado! Você não sabe a alegria que eu tenho!”, afirma emocionada à Alma Preta a estudante de direito Prudence Kalambay, membro do coletivo A Voz do Congo e do Conselho Municipal de Imigrantes (CMI) de São Paulo.

Torcedores congoleses celebram o gol de empate da RD Congo contra Portugal na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, na cidade congolesa de Bunia, em 17 de junho de 2026
Torcedores congoleses celebram o gol de empate da RD Congo contra Portugal na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, na cidade congolesa de Bunia, em 17 de junho de 2026 (Foto: Jospin Mwisha/AFP)

Também à Alma Preta, o diretor-executivo da Voz do Congo, Grevisse Mulamba Kalala, compartilhou sua emoção com o gol da seleção congolesa: “O coração está a mil com esse gol no final do primeiro, faltando segundos para acabar. […] A gente não veio para brincar depois de 52 anos, a gente não vai permitir isso porque é para o coração dos congoleses”.

Já o otimista Charly Nzungu Nzau, representante da Federação do Congo de Basquete no Brasil, arriscou previsões sobre o desempenho dos Leopardos na Copa do Mundo: “Vamos ficar em primeiro nesse grupo e vamos até as quartas de final. Estamos bem preparados. […] Está tudo preparado, espiritualmente, emocionalmente, estamos preparados. A taça vai para a África!”.

Quando questionado pela Alma Preta sobre quem apoiaria em uma eventual partida entre Brasil e RD Congo na Copa do Mundo de 2026, Nzungu Nzau lembra da ligação entre os países: “RD Congo e Brasil são o mesmo país. Somos irmãos que vão jogar. Aqui no Brasil há muitos congoleses, antepassados escravizados. O que ganhar para mim está bom, somos gêmeos separados”.

Leia Mais: O trabalho infantil nas minas de cobre e cobalto da RD Congo

O congolês Yoane Wissa marca de cabeça o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026
O congolês Yoane Wissa marca de cabeça o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026 (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)

Segunda participação em Copas do Mundo

Os congoleses foram a 47ª seleção a se classificar para a Copa do Mundo. A RD Congo garantiu a penúltima vaga do torneio com um gol do zagueiro Axel Tuanzebe, do time inglês Burnley, aos 10 minutos do primeiro tempo da prorrogação contra a Jamaica. A partida de repescagem foi disputada em Guadalajara, no México, no dia 31 de março deste ano.

Para garantir a vaga contra os jamaicanos, os Leopardos ficaram em segundo lugar do Grupo B das eliminatórias africanas, atrás apenas de Senegal. Na repescagem continental, os congoleses eliminaram Camarões e mais tarde a Nigéria, nos pênaltis.

Essa é apenas a segunda participação da RD Congo em uma Copa do Mundo. A última foi há 52 anos, em 1974, na Alemanha. À época, o país africano ainda se chamava Zaire. Na ocasião, a seleção africana participou de três partidas sem marcar nenhum gol. O time perdeu para a Escócia por 2×0; para a Iugoslávia por 9×0; e para o Brasil, por 3×0.

A RD Congo volta a campo pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026 na terça-feira (23), às 23h, no horário de Brasília, para enfrentar a Colômbia em Akron, nos EUA. Já Portugal enfrenta o Uzbequistão, na mesma data, às 14h, em Houston.

O congolês Yoane Wissa marca de cabeça o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026
O congolês Yoane Wissa marca de cabeça o gol de empate da RD Congo em partida contra Portugal pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026, em Houston, nos Estados Unidos, em 17 de junho de 2026 (Foto: Michael Wyke/AP)

Saiba mais sobre a RD Congo

Localizada na região central da África, a RD Congo conquistou sua independência da Bélgica, em 1960, sob a liderança de Patrice Lumumba. Com cerca de 120 milhões de habitantes, é um dos países mais populosos do continente e do mundo. A capital congolesa, Kinshasa, é uma das maiores cidades africanas, com cerca de 18 milhões de habitantes.

A RD Congo é o segundo maior país em extensão territorial da África — atrás apenas da Argélia — e o 11º do mundo. O país também tem a maior parte da segunda maior floresta tropical do planeta, a Floresta Tropical do Congo, atrás apenas da Floresta Amazônica.

Leia Mais: O preço que congoleses pagam pelo cobalto dos carros elétricos

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    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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