Nesta quarta-feira (17), a seleção da República Democrática do Congo marcou um gol pela primeira vez em uma edição de Copa do Mundo em um empate que garantiu também o primeiro ponto da seleção africana em mundiais.
O feito histórico foi alcançado já na estreia pelo torneio, em uma partida equilibrada contra uma seleção de Portugal recheada de estrelas e apontada como uma das favoritas a vencer a Copa sediada por Canadá, Estados Unidos e México.
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Aos 49 minutos do primeiro tempo da partida, realizada em Houston, nos EUA, o atacante congolês Yoane Wissa, do time inglês Newcastle, subiu mais alto que a defesa portuguesa e marcou de cabeça o gol histórico da seleção africana. A cabeçada de Wissa contra a meta de Portugal empatou a partida.
O placar estava aberto desde o minuto cinco do jogo, quando o meio-campista português João Neves, do time francês PSG, abriu o placar no estado norte-americano do Texas. A partida seguiu empatada até o final e terminou com o placar de 1×1.
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Em São Paulo, a Alma Preta acompanhou a partida de estreia da RD Congo ao lado de imigrantes congoleses, que se reuniram na livraria Casa Marx para torcer pelos Leopardos, apelido da seleção congolesa. O evento foi organizado pelo coletivo de congoleses “A Voz do Congo”, que denuncia a crise humanitária causada pelo conflito em curso no país africano.
“Para nós, só participar de uma Copa do Mundo já é uma alegria imensa. E imagina, hoje, a gente marcou o nosso primeiro gol na história da Copa do Mundo. […] Imagina para os jovens que estão lá no Congo, na parte Leste do país — onde tem o conflito —, vivendo esse momento”, diz o congolês Steve Mupepe, analista em gestão de tecnologia da informação, em entrevista à Alma Preta.
A região leste da RD Congo é palco de um conflito protagonizado pelo grupo armado M23, apoiado por Ruanda, que enfrenta militares congoleses pelo controle de áreas ricas em minerais como cobalto. O conflito, que dura décadas, já deixou milhões de mortos e refugiados e acumula denúncias de violações dos direitos humanos. A Alma Preta esteve na RD Congo e realizou uma série de reportagens sobre o conflito.
“Deus sabe o choro do povo. Eles [os jogadores da seleção congolesa] estão honrando o choro das mulheres da parte leste da RD Congo. O Congo há 30 anos está em guerra e esquecido e a mídia não falava, não olhava pela RD Congo. Um país cheio de riquezas e chorando pela perda dos seus filhos. E, hoje, está sendo honrado! Você não sabe a alegria que eu tenho!”, afirma emocionada à Alma Preta a estudante de direito Prudence Kalambay, membro do coletivo A Voz do Congo e do Conselho Municipal de Imigrantes (CMI) de São Paulo.

Também à Alma Preta, o diretor-executivo da Voz do Congo, Grevisse Mulamba Kalala, compartilhou sua emoção com o gol da seleção congolesa: “O coração está a mil com esse gol no final do primeiro, faltando segundos para acabar. […] A gente não veio para brincar depois de 52 anos, a gente não vai permitir isso porque é para o coração dos congoleses”.
Já o otimista Charly Nzungu Nzau, representante da Federação do Congo de Basquete no Brasil, arriscou previsões sobre o desempenho dos Leopardos na Copa do Mundo: “Vamos ficar em primeiro nesse grupo e vamos até as quartas de final. Estamos bem preparados. […] Está tudo preparado, espiritualmente, emocionalmente, estamos preparados. A taça vai para a África!”.
Quando questionado pela Alma Preta sobre quem apoiaria em uma eventual partida entre Brasil e RD Congo na Copa do Mundo de 2026, Nzungu Nzau lembra da ligação entre os países: “RD Congo e Brasil são o mesmo país. Somos irmãos que vão jogar. Aqui no Brasil há muitos congoleses, antepassados escravizados. O que ganhar para mim está bom, somos gêmeos separados”.
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Segunda participação em Copas do Mundo
Os congoleses foram a 47ª seleção a se classificar para a Copa do Mundo. A RD Congo garantiu a penúltima vaga do torneio com um gol do zagueiro Axel Tuanzebe, do time inglês Burnley, aos 10 minutos do primeiro tempo da prorrogação contra a Jamaica. A partida de repescagem foi disputada em Guadalajara, no México, no dia 31 de março deste ano.
Para garantir a vaga contra os jamaicanos, os Leopardos ficaram em segundo lugar do Grupo B das eliminatórias africanas, atrás apenas de Senegal. Na repescagem continental, os congoleses eliminaram Camarões e mais tarde a Nigéria, nos pênaltis.
Essa é apenas a segunda participação da RD Congo em uma Copa do Mundo. A última foi há 52 anos, em 1974, na Alemanha. À época, o país africano ainda se chamava Zaire. Na ocasião, a seleção africana participou de três partidas sem marcar nenhum gol. O time perdeu para a Escócia por 2×0; para a Iugoslávia por 9×0; e para o Brasil, por 3×0.
A RD Congo volta a campo pelo Grupo K da Copa do Mundo de 2026 na terça-feira (23), às 23h, no horário de Brasília, para enfrentar a Colômbia em Akron, nos EUA. Já Portugal enfrenta o Uzbequistão, na mesma data, às 14h, em Houston.

Saiba mais sobre a RD Congo
Localizada na região central da África, a RD Congo conquistou sua independência da Bélgica, em 1960, sob a liderança de Patrice Lumumba. Com cerca de 120 milhões de habitantes, é um dos países mais populosos do continente e do mundo. A capital congolesa, Kinshasa, é uma das maiores cidades africanas, com cerca de 18 milhões de habitantes.
A RD Congo é o segundo maior país em extensão territorial da África — atrás apenas da Argélia — e o 11º do mundo. O país também tem a maior parte da segunda maior floresta tropical do planeta, a Floresta Tropical do Congo, atrás apenas da Floresta Amazônica.
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