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Subúrbio do Rio recebe fóruns sobre enchentes e racismo ambiental

Encontro reúne moradores, lideranças e representantes de instituições para construir propostas de adaptação climática e justiça territorial
Último fórum popular de Retratos das Enchentes, realizado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

Último fórum popular de Retratos das Enchentes, realizado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

— Comunicação/Instituto Decodifica

17 de julho de 2026

Como parte do projeto Retratos das Enchentes, o Instituto Decodifica, em parceira com o coletivo Fala Akari, promove no sábado (18) o Fórum Popular em Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os encontros têm como objetivo apresentar à população os resultados da pesquisa realizada nas comunidades e construir, de forma coletiva, propostas para o enfrentamento das enchentes e para o fortalecimento da incidência política local.

A iniciativa reúne moradores, lideranças comunitárias, organizações de base, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil em torno de um debate sobre justiça climática, adaptação às mudanças climáticas e racismo ambiental.

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Durante os fóruns, serão apresentados dados produzidos pelos próprios moradores por meio da metodologia de Geração Cidadã de Dados, desenvolvida pelo Instituto Decodifica para ampliar a participação social na formulação de políticas públicas.

Os encontros fazem parte do projeto Retratos das Enchentes, que já ouviu 718 famílias em territórios periféricos do Rio de Janeiro e de Pernambuco. Os dados revelam que enchentes e alagamentos impactam de forma desproporcional populações negras e periféricas, agravando desafios relacionados à moradia, saneamento, saúde e acesso a direitos básicos.

Segundo o estudo, 70,5% dos moradores afirmaram viver em ruas que alagam com frequência. Além disso, 43% das famílias não possuem tratamento de esgoto, 21% vivem sem água encanada e quase metade relata adoecer após períodos de chuva, com sintomas como febre, dor de cabeça e diarreia. 

Leia mais: Enchentes escancaram desigualdade climática nas periferias brasileiras

Racismo ambiental

Para a organização, os eventos climáticos extremos que marcaram o início de 2026 reforçam a urgência de incorporar o conceito de racismo ambiental ao debate público. A expressão se refere à forma desigual como populações negras, periféricas e vulnerabilizadas são mais expostas aos impactos ambientais e menos atendidas por políticas de prevenção e proteção.

Em um contexto de agravamento da crise climática, especialistas apontam que enfrentar as enchentes passa também por enfrentar desigualdades históricas relacionadas ao acesso à infraestrutura, moradia digna, saneamento básico e participação social.

Ao final dos fóruns, as contribuições dos participantes serão sistematizadas em recomendações e materiais de incidência voltados ao território e ao poder público.

A expectativa é fortalecer a construção de soluções territorializadas para adaptação climática, garantindo que as comunidades mais afetadas pelos eventos extremos tenham ação na elaboração das respostas para a crise climática.

“Nós trabalhamos para que moradores e moradoras das periferias possam produzir seus próprios dados, criando autonomia comunitária e fortalecendo lideranças locais. É fundamental que essas populações sejam protagonistas na construção das soluções para os desafios climáticos”, destaca Thiago Nascimento, diretor-executivo do Instituto Decodifica.

Leia mais: Mapeamento sobre enchentes nas favelas ganha prêmio internacional

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