O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou que 114 pessoas morreram, incluindo 63 crianças, após ataques contra uma creche e um hospital rural em Kalogi, no estado de Cordofão do Sul, no Sudão. A ofensiva ocorreu em 4 de dezembro, segundo dados do sistema de monitoramento de violência contra serviços de saúde.
A OMS informou que o hospital foi alvo de pelo menos três ataques no mesmo dia. A creche foi atingida antes da unidade de saúde. Depois, pessoas que tentavam socorrer crianças também foram atacadas.
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No domingo, Essam al Din al Sayed, chefe da unidade administrativa de Kalogi, atribuiu as ações à Força de Apoio Rápido (FAR) e a aliados do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte, facções que enfrentam o Exército sudanês desde abril de 2023.
A OMS classificou os episódios como ataques contra civis e contra infraestrutura essencial.
Autoridades locais acusam paramilitares
No domingo (7), o chefe da unidade administrativa de Kalogi, Essam al Din al Sayed, atribuiu o ataque aos paramilitares da Força de Apoio Rápido e aos seus aliados do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte. Segundo ele, os bombardeios atingiram “primeiro uma creche, depois um hospital” e, em seguida, “pessoas que tentavam socorrer as crianças”.
Tedros corroborou essa descrição e lamentou “esses ataques insensatos contra civis e infraestruturas de saúde”. A guerra entre as FAR e o exército sudanês começou em abril de 2023 e já causou dezenas de milhares de mortos e 12 milhões de deslocados, mergulhando o país naquela que a Organização das Nações Unidas (ONU) classifica como a pior crise humanitária do mundo.
As Forças de Apoio Rápido intensificaram sua ofensiva na região petrolífera de Kordofan após capturarem, no final de outubro, a cidade de El Fasher, o último reduto do exército no oeste do Sudão. A expansão do conflito para novas áreas aumenta o risco para a população civil e aprofunda a crise humanitária.
União Africana condena atrocidades e pede cessar-fogo
O presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, condenou “nos termos mais fortes possíveis” os ataques em Kalogi. Ele afirmou que o “direcionamento deliberado de crianças, educadores, pessoal médico e civis que tentavam ajudar os feridos representa uma violação flagrante do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”.
Youssouf expressou em nota horror com as “atrocidades repetidas e crescentes cometidas contra civis na região” e disse estar profundamente preocupado com os relatos de bombardeios aéreos contínuos, ataques de drones e assaltos a infraestruturas civis vitais. Ele pediu um “cessar-fogo imediato e incondicional de todas as partes para interromper o derramamento de sangue”.
O líder da UA também exigiu a “plena proteção de civis” e o acesso humanitário sem obstáculos às comunidades afetadas. Ele destacou a necessidade de responsabilização por todas as violações e pediu investigações independentes “para garantir que os responsáveis por esses atos hediondos sejam levados à justiça”.