A Anistia Internacional afirmou nesta quarta-feira (3) que um ataque em grande escala das Forças de Apoio Rápido a um campo de refugiados no Sudão “deve ser investigado por crimes de guerra“. O ataque ocorreu em abril no campo de Zamzam, o maior de Darfur do Norte.
De acordo com o relatório da organização, combatentes das Forças de Apoio Rápido atacaram o campo por três dias. Eles usaram armas explosivas e dispararam de forma indiscriminada em áreas densamente populadas. A Anistia Internacional disse que os atos “podem equivaler aos crimes de guerra de estupro, assassinato e pilhagem”.
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O documento se baseia em entrevistas com 29 sobreviventes, jornalistas e equipes médicas, além de imagens de satélite e vídeos verificados. Imagens de satélite analisadas mostram várias crateras recentes em distritos residenciais, consistentes com bombardeios intensos.
Testemunhos relatam execuções e destruição
Sobreviventes relataram que os combatentes entraram em casas, uma clínica e uma mesquita para executar civis. Uma voluntária de uma ONG disse que os combatentes passavam de carro por seu bairro “e atiravam para todos os lados e em qualquer pessoa na rua”.
A ofensiva fez parte da investida das Forças de Apoio Rápido para capturar a cidade de El-Fasher, o último reduto do exército no oeste de Darfur. A cidade foi capturada no final de outubro, em meio a relatos de mais massacres, violência sexual, sequestros e saques.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que o ataque deslocou cerca de 400 mil pessoas em apenas dois dias. O campo de Zamzam abrigava pelo menos meio milhão de pessoas.
Agnes Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, declarou que o ataque “expôs mais uma vez o desprezo alarmante das forças pela vida humana”. Ela afirmou que “a única forma de acabar com essas violações é estancar o fluxo de armas” e pediu a expansão do embargo de armas existente em Darfur para todo o Sudão.
Organização cita envolvimento dos Emirados Árabes
A Anistia Internacional também pediu o fim imediato de todas as remessas de armas para os Emirados Árabes Unidos, devido ao “alto risco de desvio para as Forças de Apoio Rápido”. Especialistas da ONU, diplomatas e outras organizações já relataram o extenso apoio militar dos Emirados às forças sudanesas, algo que Abu Dhabi nega.
As Forças de Apoio Rápido rejeitaram as acusações de ataques a civis em Zamzam na época, classificando-as como “falsas”.
Ambos os lados do conflito sudanes, que já matou dezenas de milhares e deslocou quase 12 milhões de pessoas, são acusados de ataques indiscriminados. As Forças de Apoio Rápido enfrentam acusações específicas de assassinatos por motivação étnica, violência sexual e saques.