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Fome aguda afeta cerca de 20 milhões de pessoas no Sudão

Conflito entre Exército e forças paramilitares entra no quarto ano, amplia restrições humanitárias e coloca regiões do país sob risco de fome extrema
Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

Moradores sudaneses se reúnem para receber refeições gratuitas em Al Fasher, uma cidade sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares do Sudão, há mais de um ano, na região de Darfur.

— Reprodução/Agence France-Presse

16 de maio de 2026

A crise alimentar no Sudão corre o risco de se transformar em uma “tragédia ainda mais grave” sem uma rápida intervenção internacional. A estimativa é da Organização das Nações Unidas (ONU) e foi divulgada nesta sexta-feira (15).

Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem de fome aguda no país. Esse número representa mais de 40% da população sudanesa. A guerra no Sudão, que desde abril de 2023 é cenário da oposição entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (FAR), provocou, segundo a ONU, a maior crise alimentar do mundo.

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Em um comunicado conjunto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o  Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimaram que 19,5 milhões de pessoas enfrentam atualmente um nível crítico de fome. 

Os dados saíram do relatório publicado na quinta-feira (14) pela Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (CIF), organismo da ONU com sede em Roma, Itália.

“A fome e a desnutrição ameaçam milhões de vidas”, declarou Cindy McCain, diretora do PMA. Ela pediu uma ação internacional urgente para “impedir que esta crise se transforme em uma tragédia ainda mais grave”.

A CIF estima que 825 mil crianças menores de cinco anos sofrerão desnutrição aguda severa em 2026. Esse número representa um aumento de 7% em relação a 2025.

As crianças “chegam a centros já exauridas, fracas demais para chorar”, descreveu Catherine Russell, diretora da Unicef. Ela advertiu que “mais crianças morrerão” se medidas rápidas não forem adotadas.

Leia mais: Guerra no Sudão desloca 14 milhões e agrava crise humanitária, diz ONU

Fome extrema ameaça 14 zonas do país

Quatorze zonas do Sudão estão ameaçadas pela fome extrema. As áreas críticas localizam-se em Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul. Cerca de 135 mil pessoas já sofrem níveis “catastróficos” de fome.

A avaliação da CIF se baseia em “um cenário pessimista, mas plausível”. O cenário contempla uma intensificação dos combates e novas restrições ao acesso humanitário e à circulação de bens e pessoas.

O número atual de 19,5 milhões de pessoas afetadas pela fome aguda é ligeiramente inferior à estimativa de outubro passado. Na ocasião, o relatório apontava mais de 21 milhões de pessoas em situação crítica. A fome extrema foi confirmada em El Fasher, no oeste do país, e em Kaduqli, no sul.


Leia mais: Relatório da ONU aponta indícios de genocídio em El-Fasher, no Sudão

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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