PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

RD Congo, Canadá e Unicef lançam projeto de R$ 48 milhões para proteção infantil

Iniciativa de seis anos prevê ações em Kinshasa, Lubumbashi e Bunia com foco em combate à violência, trabalho infantil e exclusão social
Uma mulher e uma criança congolesas deslocadas internamente espreitam para dentro de uma tenda destruída da UNICEF.

Uma mulher e uma criança congolesas deslocadas internamente espreitam para dentro de uma tenda destruída da UNICEF.

— Tony Karumba/AFP

11 de junho de 2025

O governo da República Democrática do Congo (RDC), em cooperação com o governo do Canadá e o Unicef, lançou oficialmente nesta segunda-feira (9) um projeto de seis anos voltado ao fortalecimento dos sistemas de proteção infantil. A cerimônia ocorreu em Kinshasa, capital do país.

O programa conta com investimento de 12 milhões de dólares canadenses (aproximadamente R$ 48,6 mi), com recursos doados pelo governo canadense, e será implementado nas cidades de Kinshasa, Lubumbashi e Bunia. Os municípios foram selecionados por sua alta exposição a riscos relacionados à infância, como violência, negligência e exclusão social.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Violência generalizada e crise estrutural

De acordo com nota conjunta das instituições envolvidas, a RDC enfrenta uma crise no campo da proteção infantil. Estimativas apontam que cerca de 90% das crianças congolesas sofreram pelo menos um tipo de violência, enquanto 13% foram expostas às piores formas de trabalho infantil.

As meninas são as principais vítimas de violência sexual, com índices elevados de casamentos forçados e gestações antes dos 18 anos. A situação é agravada por fatores como pobreza crônica, instabilidade causada por conflitos armados e discriminações sociais que perpetuam a exclusão e a vulnerabilidade.

O fenômeno das “crianças de rua” também vem se intensificando, especialmente em áreas urbanas que concentram deslocados internos e carecem de serviços básicos de saúde, educação e assistência social.

Três eixos de ação

O projeto será desenvolvido com base em três eixos centrais de atuação, definidos para enfrentar de forma estruturada os diversos aspectos da crise de proteção infantil na República Democrática do Congo.

  • Fortalecimento da capacidade governamental: o primeiro eixo se concentra na qualificação das instituições públicas para melhorar a governança das políticas voltadas à proteção da infância. Isso envolve o aprimoramento de marcos legais, a capacitação de agentes públicos e a estruturação de mecanismos permanentes de monitoramento, com o objetivo de garantir maior eficiência na resposta estatal a situações de risco.
  • Engajamento comunitário e familiar: o segundo eixo mobiliza diretamente as comunidades e as famílias, reconhecendo seu papel essencial na prevenção e detecção precoce de violações de direitos. A proposta é promover ações educativas, campanhas de conscientização e redes de apoio locais para fortalecer os vínculos de cuidado e vigilância coletiva, especialmente em contextos marcados por pobreza e deslocamento forçado.
  • Aprimoramento dos serviços de atendimento: o terceiro eixo prevê o desenvolvimento e a expansão dos serviços de acolhimento, apoio psicossocial e encaminhamento de crianças vítimas de violência ou em situação de extrema vulnerabilidade. 

As ações incluem a implantação de centros especializados, o fortalecimento de equipes multidisciplinares e a criação de fluxos de atendimento que garantam proteção imediata e acompanhamento de longo prazo.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano