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Em meio a guerra com a RD Congo, influenciadora brasileira faz turismo em Ruanda

Influenciadora brasileira Marina Guaragna está em Ruanda desde o dia 4 de setembro e ficou em regiões como o Lago Kivu, região ocupada pelos rebeldes do M23 com o apoio de Ruanda.
Reprodução/Tiktok.

A influenciadora de viagens Marina Guaragna faz turismo no Lago Kivu, na fronteira entre Ruanda e República Democrática do Congo, a poucos quilômetros da guerra.

— Reprodução/Tiktok.

19 de setembro de 2025

A influenciadora de viagens Marina Guaragna está em Ruanda e visitou locais próximos à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), país vítima de uma invasão militar do grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda. Ela está no país africano desde 4 de setembro.

Dados divulgados no dia 24 de fevereiro, e não atualizados, apontam para a morte de 7 mil pessoas naquela região desde a tomada de Goma, capital do Kivu do Norte, em 27 de janeiro de 2025.

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O M23 também é responsável por ocupar Bukavu, a capital do Kivu do Sul, em 15 de fevereiro. Essa é a primeira vez que o grupo tem o domínio de toda a região do Lago Kivu.

Nos vídeos publicados nas redes sociais, a influenciadora brasileira destaca as ruas de Kigali, capital de Ruanda, cidade conhecida pela limpeza urbana. Ela também visitou o Parque Nacional Volcanoes, próximo da divisa com a RDC, e que tem uma grande quantidade de gorilas e macacos.

Nas redes sociais, ela afirma ter sido convidada pela embaixada de Ruanda no Brasil, pelo Conselho de Desenvolvimento de Ruanda e pela campanha internacional Visite Ruanda.

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A RD Congo e Ruanda chegaram a assinar um acordo de paz, sob a mediação dos Estados Unidos, em 27 de junho de 2025. Entre os combinados, está a retirada das tropas de Ruanda do território congolês até o fim de setembro. Os combates entre os rebeldes do M23 e as forças congolesas se mantiveram, mesmo com a assinatura do tratado.

Guaragna ainda publicou um vídeo sobre a memória do genocídio de 1994, um dos principais crimes cometidos contra a humanidadade. Na ocasião, 800 mil pessoas foram mortas no intervalo de 100 dias, a maioria delas da etnia tutsi.

A memória do genocídio é um dos elementos de tensão entre Ruanda e a RDC. Os ruandeses acusam o governo congolês da época, ainda sob a gestão de Joseph Mobutu (1965-1997), de acolher os hutus responsáveis pelos massacres em Ruanda.

Apesar do cenário, nenhum vídeo ou informação foi divulgado pela influenciadora sobre a guerra atual, as violações de direitos humanos cometidas pelo M23, e as acusações feitas contra Ruanda de apoiar o grupo rebelde.

A última ofensiva do M23, em janeiro deste ano, contou com apoio militar de Ruanda. Um relatório recente da ONU, inclusive, aponta para as estratégias utilizadas por Ruanda para enfraquecer a administração congolesa naquela região. Especialistas entendem esse como um passo de Ruanda para tentar anexar aquele território.

Quem é a Marina Guaragna?

A influenciadora Marina Guaragna tem 1,5 milhão de seguidores no Instagram e publica vídeos de viagens pelo mundo. Ela tem vídeos publicados sobre curiosidades e aspectos históricos de cada nação que visita.

Um dos vídeos destacados nas redes é o de um passeio na China, em um táxi dirigido por inteligência artificial. Ela também visitou uma comunidade no país asiático onde não existem casamentos.

De maneira mais recente, ela visitou a Colômbia, onde destacou o prazer dos colombianos por andar de bicicleta, e a Tailândia, onde gravou um vídeo com uma denúncia e uma explicação sobre o problema do turismo sexual no país.

A Alma Preta pediu um posicionamento para a equipe da influenciadora e não obteve resposta até o fechamento do texto. O espaço segue aberto para manifestações.

A campanha Visite Ruanda

A campanha Visite Ruanda se tornou popular por conta do investimento dado pelo país africano para estampar a camiseta ou mesmo a peças publicitárias em grandes clubes de futebol da Europa.

O PSG, atual campeão europeu, tem um contrato com o governo de Ruanda até 2028. As estimativas são de que os valores, por expor a campanha nas mangas do PSG entre 2019 e 2025, girava entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões por ano, ou seja, entre R$ 45 milhões e R$ 56 milhões, na cotação atual.

A renovação, contudo, ocorreu apesar de uma campanha contrária de torcedores do PSG. Uma petição, com a assinatura de 75 mil pessoas, pedia a ruptura do contrato e um posicionamento público do clube em defesa dos direitos humanos como uma forma de condenar os ataques do M23 e do exército de Ruanda na parte leste da RDC. 

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“Acreditamos firmemente que o PSG, por meio de sua influência e poder de mobilização, pode desempenhar um papel crucial no apoio aos direitos humanos e contribuir para a conscientização sobre crises humanitárias. Pedimos que você faça uma escolha corajosa e ética que reflita seus valores fundamentais e proteja a dignidade das populações vítimas de violência”, diz a petição.

O incômodo dos torcedores é de que a campanha utiliza da marca de grandes clubes de futebol para limpar a imagem de Ruanda perante a comunidade internacional. 

Outros grandes clubes europeus, como o Arsenal, da Inglaterra, e o Atlético de Madrid, da Espanha, também participam da campanha.

O Bayer de Munique, principal clube de futebol da Alemanha, tem se afastado da campanha Visite Ruanda após receber críticas e ser pressionado por seus torcedores. A campanha não está no site oficial do clube, na seção de parceiros.

O time alemão não especificou quando deixará totalmente a campanha, mas deixará de exibir mensagens para atrair turistas para Ruanda e focará o trabalho na formação de jogadores e talentos no país africano.

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  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

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