PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Estados Unidos acusam África do Sul de interferir em programa de reassentamento de ‘afrikaners’

Governo norte-americano critica operação sul-africana que prendeu e expulsou sete quenianos que processavam pedidos de refúgio para sul-africanos brancos nos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega documentos ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 21 de maio de 2025.

O presidente dos EUA, Donald Trump, entrega documentos ao presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, em 21 de maio de 2025.

— Jim Watson/AFP

18 de dezembro de 2025

O governo dos Estados Unidos acusou nesta quarta-feira (17) a África do Sul de interferir em um programa norte-americano que concede status de refugiado a “afrikaners” (sul-africanos brancos). A reação ocorreu após autoridades do país africano prenderem e expulsarem sete cidadãos do Quênia acusados de atuar sem autorização em atividades ligadas ao reassentamento de sul-africanos nos Estados Unidos.

Um funcionário da administração do presidente Donald Trump afirmou que o programa de refugiados tem sido conduzido dentro dos limites legais e que a África do Sul havia se comprometido, em mais de uma ocasião, a não interferir nas operações conduzidas pelos Estados Unidos.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“Temos trabalhado para gerir o programa de refugiados dentro dos limites da lei, e a África do Sul comprometeu-se em múltiplas ocasiões a não interferir nas nossas operações. Lamentavelmente, acabamos de presenciar interferências”, declarou o representante do governo norte-americano. A informação é da Agence France-Presse (AFP).

As declarações ocorreram após o Ministério do Interior da África do Sul informar que realizou buscas em um centro de processamento de solicitações de reassentamento, em Joanesburgo. Segundo o governo sul-africano, relatórios de inteligência indicaram que cidadãos quenianos haviam ingressado no país com vistos de turismo e assumido atividades profissionais no processamento de pedidos de refúgio destinados aos Estados Unidos.

De acordo com uma fonte familiarizada com o caso, advogados do Departamento de Estado norte-americano consideravam que os sete quenianos expulsos possuíam autorização para trabalhar com base no tipo de visto apresentado.

Política migratória do governo Trump

O programa de reassentamento foi anunciado por Trump em maio. Ele oferece status de refugiado a membros da minoria branca “afrikaners”, alegando que eles enfrentam perseguição e até “genocídio” no país, acusações que o governo pós-apartheid da África do Sul nega categoricamente. Um primeiro grupo de cerca de 50 afrikaners foi para os EUA em um voo fretado em maio.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido publicamente a admissão de sul-africanos brancos no país. Durante seu mandato, o governo suspendeu de forma ampla o programa de acolhimento de refugiados, mas abriu exceção para integrantes da minoria afrikaner da África do Sul.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano