PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Justiça da Nigéria acusa 6 pessoas por tentativa de golpe de Estado

Entre os indiciados está um major-general da reserva; plano que fracassou em 2025 interromperia 25 anos de democracia no país mais populoso da África
O presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, durante a 65ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em Abuja, no dia 7 de julho de 2024.

O presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, durante a 65ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em Abuja, no dia 7 de julho de 2024.

— Sodiq Adelakun / AFP

21 de abril de 2026

A Justiça da Nigéria apresentou acusações formais contra seis pessoas por um plano de golpe de Estado frustrado pelas autoridades em 2025. Os documentos foram protocolados no Tribunal Federal de Abuja nesta terça-feira (21).

O governo nigeriano inicialmente negou a existência da tentativa de golpe. Em janeiro deste ano, no entanto, as autoridades anunciaram que militares julgariam vários oficiais acusados de planejar a deposição do presidente Bola Tinubu. Se o golpe tivesse sucesso, o país interromperia um quarto de século de democracia.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Entre os seis acusados está um major-general da reserva, Mohammed Ibrahim Gana. Os demais indiciados são o capitão da reserva Erasmus Ochegobia Victor, o inspetor Ahmed Ibrahim, Zekeri Umoru, Bukar Kashim Goni e Abdulkadir Sani.

Os promotores acusam os seis de conspirar “uns com os outros para fazer guerra contra o Estado para intimidar o presidente da República Federal”. Eles também enfrentam acusações de conhecimento prévio sobre a intenção do coronel Mohammed Alhassan Ma’aji “e outros” de cometer traição, sem alertar as autoridades.

A imprensa nigeriana já havia identificado Ma’aji como o mentor do golpe. Os acusados também são acusados de conspirar uns com os outros para cometer um ato de terrorismo e de indiretamente, mas “conscientemente”, prestar apoio a Ma’aji e outros para cometer um ato de terrorismo.

Os documentos também mencionam “Timpre Sylva (ainda foragido)” como suposto participante. O nome parece ser um erro de grafia do ex-ministro do Petróleo Timipre Sylva, que já negou qualquer ligação com o plano golpista.

Leia mais: Militares da Nigéria serão julgados sob acusação de conspiração golpista contra o governo

Histórico de instabilidade política

A Nigéria sofreu vários golpes de Estado em sua história. O país passou grande parte do século XX sob regime militar, após a independência do Reino Unido, em 1960. A nação do oeste africano transitou para o governo civil em 1999 e mantém um regime democrático desde então.

Em outubro de 2025, os militares anunciaram a prisão de 16 oficiais por “questões de indisciplina”. Apesar das negativas oficiais, fontes do governo e das Forças Armadas confirmaram à agência de notícias AFP que as prisões ocorreram por um plano golpista.

Em janeiro deste ano, em uma reviravolta, os militares anunciaram que julgariam “vários oficiais sob acusações de planejar a derrubada do governo”. Pouco depois de negar a existência do plano, Tinubu reorganizou o alto comando militar do país.

Um alto funcionário da administração disse à AFP na época que, quando algo assim acontece, significa que há uma falha na inteligência e que “nenhum líder aceitaria isso”. O general Christopher Musa perdeu o cargo de chefe do Estado-Maior da Defesa na reformulação, mas depois retornou como ministro da Defesa.


Leia mais: Nigéria nomeia ex-comandante militar como ministro da Defesa em meio a crise de segurança

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano