A Justiça da Nigéria apresentou acusações formais contra seis pessoas por um plano de golpe de Estado frustrado pelas autoridades em 2025. Os documentos foram protocolados no Tribunal Federal de Abuja nesta terça-feira (21).
O governo nigeriano inicialmente negou a existência da tentativa de golpe. Em janeiro deste ano, no entanto, as autoridades anunciaram que militares julgariam vários oficiais acusados de planejar a deposição do presidente Bola Tinubu. Se o golpe tivesse sucesso, o país interromperia um quarto de século de democracia.
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Entre os seis acusados está um major-general da reserva, Mohammed Ibrahim Gana. Os demais indiciados são o capitão da reserva Erasmus Ochegobia Victor, o inspetor Ahmed Ibrahim, Zekeri Umoru, Bukar Kashim Goni e Abdulkadir Sani.
Os promotores acusam os seis de conspirar “uns com os outros para fazer guerra contra o Estado para intimidar o presidente da República Federal”. Eles também enfrentam acusações de conhecimento prévio sobre a intenção do coronel Mohammed Alhassan Ma’aji “e outros” de cometer traição, sem alertar as autoridades.
A imprensa nigeriana já havia identificado Ma’aji como o mentor do golpe. Os acusados também são acusados de conspirar uns com os outros para cometer um ato de terrorismo e de indiretamente, mas “conscientemente”, prestar apoio a Ma’aji e outros para cometer um ato de terrorismo.
Os documentos também mencionam “Timpre Sylva (ainda foragido)” como suposto participante. O nome parece ser um erro de grafia do ex-ministro do Petróleo Timipre Sylva, que já negou qualquer ligação com o plano golpista.
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Histórico de instabilidade política
A Nigéria sofreu vários golpes de Estado em sua história. O país passou grande parte do século XX sob regime militar, após a independência do Reino Unido, em 1960. A nação do oeste africano transitou para o governo civil em 1999 e mantém um regime democrático desde então.
Em outubro de 2025, os militares anunciaram a prisão de 16 oficiais por “questões de indisciplina”. Apesar das negativas oficiais, fontes do governo e das Forças Armadas confirmaram à agência de notícias AFP que as prisões ocorreram por um plano golpista.
Em janeiro deste ano, em uma reviravolta, os militares anunciaram que julgariam “vários oficiais sob acusações de planejar a derrubada do governo”. Pouco depois de negar a existência do plano, Tinubu reorganizou o alto comando militar do país.
Um alto funcionário da administração disse à AFP na época que, quando algo assim acontece, significa que há uma falha na inteligência e que “nenhum líder aceitaria isso”. O general Christopher Musa perdeu o cargo de chefe do Estado-Maior da Defesa na reformulação, mas depois retornou como ministro da Defesa.
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