Organizações de direitos humanos denunciaram nesta quarta-feira (20) o grupo M23, apoiada por Ruanda, por uma série de abusos na região leste da República Democrática do Congo (RDC). Segundo a Human Rights Watch (HRW), combatentes do grupo realizaram “execuções sumárias” de mais de 140 civis, em sua maioria de origem hutu, em ao menos 14 vilarejos e comunidades rurais.
A Anistia Internacional afirmou que o M23 e os grupos armados Wazalendo — aliados do governo congolês — cometeram crimes que podem configurar crimes de guerra, incluindo estupros coletivos e execuções extrajudiciais.
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O M23, com apoio militar de Ruanda, tomou áreas estratégicas do leste congolês, rico em minerais, agravando uma crise humanitária que já se arrasta há três décadas. Apesar do cessar-fogo firmado em julho, com mediação dos Estados Unidos em Doha, a violência continua.
No mês de julho, a Organização das Nações Unidas (ONU) acusou o M23 de assassinar mais de 319 civis na província de Kivu do Norte, com participação de soldados ruandeses nas operações.
Dimensão étnica do conflito
A HRW apontou que os massacres fazem parte de uma ofensiva contra as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), grupo armado fundado por hutus envolvidos no genocídio de 1994 em Ruanda. Kigali nega apoiar o M23, mas afirma que a presença do FDLR no território congolês representa ameaça existencial.
Para a HRW, as execuções representam “um dos piores massacres cometidos pelo M23” e levantam “sérias preocupações de limpeza étnica”.
A Anistia Internacional destacou a violência sexual como prática recorrente. De 14 sobreviventes de estupros coletivos que prestaram depoimento, oito apontaram combatentes do M23, cinco acusaram integrantes do Wazalendo e uma relatou ter sido violentada por um soldado congolês.
“Foram registrados estupros em casas, plantações e até nos campos de deslocados. Para as mulheres do leste congolês, não existe lugar seguro”, afirmou Tigere Chagutah, diretor regional da Anistia.
A organização documentou 53 relatos de vítimas e testemunhas, reunindo evidências de execuções sumárias e desaparecimentos forçados.
A Anistia ainda pediu ao Conselho de Segurança da ONU que responsabilize Ruanda e a RDC pelos crimes relatados e que os autores sejam levados à Justiça. Também defendeu que o governo congolês afaste de suas forças oficiais combatentes acusados de violações.
“O mundo precisa dizer basta. Esses atos têm como objetivo punir, intimidar e humilhar civis”, disse Chagutah.