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Organizações acusam grupos armados de estupros e massacres étnicos na RD Congo

Relatórios da Human Rights Watch e Amnesty International relatam execuções sumárias de civis hutus e violações em massa por grupo apoiado por Ruanda, em meio a frágil cessar-fogo
Soldados do grupo M23 embarcam em caminhonetes para escoltar os veículos do coordenador Corneille Nanga e do governador, em Goma.

Soldados do grupo M23 embarcam em caminhonetes para escoltar os veículos do coordenador Corneille Nanga e do governador, em Goma.

— Jospin Mwisha/AFP

20 de agosto de 2025

Organizações de direitos humanos denunciaram nesta quarta-feira (20) o grupo M23, apoiada por Ruanda, por uma série de abusos na região leste da República Democrática do Congo (RDC). Segundo a Human Rights Watch (HRW), combatentes do grupo realizaram “execuções sumárias” de mais de 140 civis, em sua maioria de origem hutu, em ao menos 14 vilarejos e comunidades rurais.

A Anistia Internacional afirmou que o M23 e os grupos armados Wazalendo — aliados do governo congolês — cometeram crimes que podem configurar crimes de guerra, incluindo estupros coletivos e execuções extrajudiciais.

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O M23, com apoio militar de Ruanda, tomou áreas estratégicas do leste congolês, rico em minerais, agravando uma crise humanitária que já se arrasta há três décadas. Apesar do cessar-fogo firmado em julho, com mediação dos Estados Unidos em Doha, a violência continua.

No mês de julho, a Organização das Nações Unidas (ONU) acusou o M23 de assassinar mais de 319 civis na província de Kivu do Norte, com participação de soldados ruandeses nas operações.

Dimensão étnica do conflito

A HRW apontou que os massacres fazem parte de uma ofensiva contra as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), grupo armado fundado por hutus envolvidos no genocídio de 1994 em Ruanda. Kigali nega apoiar o M23, mas afirma que a presença do FDLR no território congolês representa ameaça existencial.

Para a HRW, as execuções representam “um dos piores massacres cometidos pelo M23” e levantam “sérias preocupações de limpeza étnica”.

A Anistia Internacional destacou a violência sexual como prática recorrente. De 14 sobreviventes de estupros coletivos que prestaram depoimento, oito apontaram combatentes do M23, cinco acusaram integrantes do Wazalendo e uma relatou ter sido violentada por um soldado congolês.

“Foram registrados estupros em casas, plantações e até nos campos de deslocados. Para as mulheres do leste congolês, não existe lugar seguro”, afirmou Tigere Chagutah, diretor regional da Anistia.

A organização documentou 53 relatos de vítimas e testemunhas, reunindo evidências de execuções sumárias e desaparecimentos forçados.

A Anistia  ainda pediu ao Conselho de Segurança da ONU que responsabilize Ruanda e a RDC pelos crimes relatados e que os autores sejam levados à Justiça. Também defendeu que o governo congolês afaste de suas forças oficiais combatentes acusados de violações.

“O mundo precisa dizer basta. Esses atos têm como objetivo punir, intimidar e humilhar civis”, disse Chagutah.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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