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RD Congo e Ruanda fazem 1ª reunião após acordo de paz mediado por Qatar e EUA

Representantes dos dois países se reuniram em Washington para discutir a implementação do acordo, que prevê cessar-fogo e integridade territorial, mas detalhes econômicos ainda são vagos
O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo, e o secretário executivo do grupo armado M23, apoiado por Ruanda, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025, para encerrar os conflitos que devastaram o leste do país, rico em minerais, mas devastado por conflitos.

O mediador de paz Sumbu Sita Mambu, um alto representante do chefe de Estado na República Democrática do Congo, e o secretário executivo do grupo armado M23, apoiado por Ruanda, Benjamin Mbonimpa, trocam documentos após assinarem um acordo de cessar-fogo na capital do Catar, Doha, em 19 de julho de 2025, para encerrar os conflitos que devastaram o leste do país, rico em minerais, mas devastado por conflitos.

— Karim Jaafar/AFP

1 de agosto de 2025

Representantes da República Democrática do Congo (RDC) e de Ruanda realizaram, nesta quinta-feira (31), em Washington, o primeiro encontro oficial após a assinatura do acordo de paz firmado no final de junho. O encontro contou com a presença de observadores dos Estados Unidos, do Qatar e da União Africana.

Segundo comunicado conjunto divulgado nas redes sociais pelos governos de Kinshasa e Kigali, a reunião teve como foco o acompanhamento da implementação das medidas previstas no acordo, que inclui o respeito à integridade territorial e a interrupção das hostilidades no leste da RDC.

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O pacto é resultado de um processo de mediação liderado pelo Qatar, que surpreendeu ao conseguir reunir os presidentes Félix Tshisekedi (RDC) e Paul Kagame (Ruanda) em Doha, em março. A mediação anterior, feita por Angola, havia fracassado.

Conflito no leste congolês intensifica pressão internacional

O diálogo entre os dois países ocorre em meio ao agravamento do conflito armado no leste da RDC. A região, marcada por disputas em torno da exploração de minérios como ouro, coltan e cobalto, concentra grupos armados que atuam há mais de três décadas. O grupo M23, principal força rebelde na área, ampliou seu controle sobre cidades como Goma e Bukavu, provocando novos fluxos de deslocados e mortes.

Kinshasa acusa Ruanda de apoiar o M23 com armamento e logística, o que é negado por Kigali. O governo ruandês afirma agir para proteger sua segurança nacional frente a ameaças representadas por milícias hutus, como as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), que operam dentro do território congolês.

Paralelamente ao diálogo com Ruanda, o governo da RDC assinou com o M23, também em Doha, uma declaração de princípios. O documento, divulgado em julho, estabelece um cessar-fogo permanente, o retorno seguro e voluntário de deslocados e refugiados e a realização de negociações formais.

Ficou acordado que as conversas entre as partes devem começar até 8 de agosto, com a meta de firmar um acordo abrangente até 17 de agosto. Um dos pontos mais delicados do processo é a exigência da retirada do M23 das áreas que ocupa atualmente, o que ainda não foi efetivado.

Minerais e geopolítica no centro das negociações

Além das questões humanitárias e militares, o acordo de paz também se vincula aos interesses econômicos na região. A RDC abriga reservas estratégicas de minerais usados na indústria global de tecnologia e energia, como cobalto e lítio. O controle sobre esses recursos tem alimentado disputas internas e pressões externas.

Em julho, o governo congolês firmou um acordo com a empresa norte-americana Kobold Metals para mapear e explorar uma mina de lítio no sudeste do país. Em paralelo, o presidente Tshisekedi mantém conversas com autoridades dos Estados Unidos sobre ampliação da cooperação na cadeia de suprimentos minerais, o que fortalece o papel de Washington nas negociações de paz.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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