A República Democrática do Congo e Ruanda firmaram um acordo para retirar tropas e desarmar grupos armados que atuam no leste do continente africano. O entendimento ocorreu durante reuniões realizadas em 17 e 18 de março em Washington, segundo comunicado conjunto divulgado pelos dois países e pelos Estados Unidos.
Representantes dos dois governos concordaram em adotar “medidas concretas” para reduzir tensões e avançar na implementação do acordo de paz assinado no ano passado.
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O documento estabelece uma série de ações coordenadas, incluindo “o compromisso mútuo com medidas específicas para apoiar a soberania e a integridade territorial de cada país, a retirada programada de forças e a suspensão de medidas defensivas por Ruanda em áreas definidas do território congolês”.
O texto também prevê “esforços intensificados e com prazo definido pela RD Congo para neutralizar as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR)” e a proteção de todos os civis.
Pressão americana
O novo compromisso ocorre dias depois de os Estados Unidos intensificarem a pressão sobre Ruanda em relação ao conflito. Em 2 de março, o governo estadunidense impôs sanções às forças militares ruandesas e estabeleceu restrições de visto a vários altos funcionários não especificados.
Ruanda reagiu às sanções afirmando que as medidas “atingiam injustamente apenas uma das partes” e acusou a RD Congo de violar o acordo de paz com “ataques indiscriminados com drones e ofensivas terrestres”.
O leste da RD Congo, região rica em recursos minerais, permanece em conflito apesar da assinatura de um acordo de paz com mediação do presidente americano Donald Trump no ano passado. O grupo armado M23, apoiado por Ruanda, controla cidades estratégicas na região.
Milhares de soldados ruandeses estão implantados no leste congolês, onde “participam ativamente de operações de combate e facilitam o controle territorial do M23”, segundo declaração do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em 2 de março.
Ruanda nega apoiar o M23 e há muito tempo pressiona Kinshasa a combater as FDLR, milícia hutu vinculada ao genocídio de 1994 em Ruanda. O grupo foi formado por remanescentes das forças que executaram o massacre de tutsis e hutus moderados há três décadas e opera no leste congolês desde o fim do genocídio.