O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmou parceria com a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) para apoiar empreendimentos, coletivos e organizações do Distrito do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. O Programa ANIP BNDES Periferias será executado por A Banca, organização territorial da região, e combina formação continuada, participação social, incidência política e repasse direto de recursos.
A iniciativa integra a agenda BNDES Periferias, que destinou mais de R$ 135 milhões em 2025 para projetos em favelas e comunidades de todo o país, com foco em inclusão produtiva, sustentabilidade e fortalecimento institucional.
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Para Marcelo Rocha (DJ Bola), fundador de A Banca, o programa representa um avanço inédito. “Pela primeira vez uma organização da periferia acessa um chamamento nacional do BNDES para executar um programa desse porte. Foi muito suor, muito corre e muito conhecimento acumulado para chegar até aqui”, afirmou em nota à imprensa.
As inscrições estão abertas e podem ser realizadas neste link.
Metodologia e eixos de atuação
O programa estrutura-se em três eixos principais: Rodas de Conversa para troca entre pares e mapeamento de desafios comuns; o fórum “Nada de Nós sem Nós”, espaço de participação social para formulação de propostas; e percursos formativos com transferência direta de recursos.
Na modalidade “Pensando Junto”, iniciativas em estágio inicial recebem formação e capital semente de R$ 1 mil. No percurso “Dando Aquela Força”, voltado a empreendimentos mais consolidados, o aporte chega a R$ 10 mil por iniciativa para investimento em estrutura, equipamentos ou fortalecimento institucional.
“Acreditamos que impacto, quando se fala em periferias, acontece ao conseguirmos romper o ciclo da pobreza financeira. E isso não acontece só com recurso, mas com formação, com troca entre pares, com participação de quem vive o território”, disse DJ Bola.
Cinco frentes prioritárias
Os negócios apoiados serão selecionados dentro de cinco eixos temáticos: empreendimentos liderados por mulheres, iniciativas da economia criativa, negócios de saúde integral (incluindo práticas tradicionais e saberes locais), empreendimentos tradicionais enraizados no território e negócios de impacto socioambiental positivo.
Fabiana Ivo, gestora operacional de A Banca e da ANIP, destacou a arquitetura do programa. “Partimos do entendimento de que políticas de desenvolvimento territorial demandam articulação entre formação, financiamento e participação ativa dos atores envolvidos”, afirmou.
A implementação ocorrerá no Jardim Ângela, distrito da periferia sul paulistano com forte presença de organizações comunitárias e iniciativas produtivas locais. A expectativa é ampliar a autonomia econômica e a sustentabilidade dos negócios enraizados no território.