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Contra mineração no rio Xingu, mulheres indígenas bloqueiam acesso a aeroporto

Mobilização em Altamira (PA) cobra suspensão do projeto da mineradora Belo Sun na Volta Grande do Xingu
Manifestação indígena em Altamira, no Pará.

Manifestação indígena em Altamira, no Pará.

— Reprodução/Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu

17 de março de 2026

O Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu bloqueou, na segunda-feira (16), a via de acesso ao Aeroporto Interestadual de Altamira, no Pará, em protesto contra o projeto de mineração da empresa canadense Belo Sun Ltda, na Volta Grande do Xingu. 

Com cerca de 200 pessoas, o ato integra a mobilização indígena organizada pela entidade, que, desde 23 de fevereiro, ocupa a sede da Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) do município. O coletivo exige a interrupção imediata das atividades de extrativismo e o cancelamento da licença de instalação do empreendimento. 

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A Volta Grande do Xingu é território tradicional de diversos povos indígenas, como as etnias Juruna, Xipaia, Curuaia, Arara da Volta Grande e Xikrin. A área também abriga comunidades ribeirinhas e famílias camponesas. 

Em fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou um recurso contra a decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que concedeu a autorização para a mineração de ouro na região. 

Um relatório do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) indicou que o planejamento prevê uma barragem de rejeitos com capacidade de mais de 35 milhões de metros cúbicos, com estruturas próximas ao rio Xingu. Também estão incluídas duas cavas a céu aberto, reservatórios e pilhas de estéril. 

Em nota à imprensa, o movimento exige a realização urgente de uma audiência com a presença do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do MPI, da Funai, da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, do MPF, da Defensoria Pública da União (DPU) e do TRF1. 

A reunião pretende debater a situação do licenciamento liminar do projeto da Belo Sun, que, de acordo com as mulheres indígenas, foi aprovado sem a consulta prévia, livre e informada das comunidades tradicionais. 

“As mulheres indígenas seguem mobilizadas em Altamira, aguardando uma resposta institucional e a abertura de um espaço de diálogo com os órgãos públicos responsáveis, diante da gravidade dos impactos que o empreendimento pode gerar para os territórios”, diz trecho do comunicado. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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