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‘Documentar o horror’: qual a responsabilidade da imprensa ao retratar guerras?

Em palestra no Congresso da Abraji, jornalista da Al Jazeera falou sobre os desafios e a ética na cobertura de genocídios e guerras
Público acompanha palestra da jornalista Laila Al-Arian, produtora executiva da Al Jazeera, durante Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo, em 10 de julho de 2025.

Público acompanha palestra da jornalista Laila Al-Arian, produtora executiva da Al Jazeera, durante Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo, em 10 de julho de 2025.

— Solon Neto/Alma Preta

10 de julho de 2025

Os debates e palestras da 20ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), seguiram na tarde desta quinta-feira (10), na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo.

Uma das atividades do dia teve como tema “Documentar o horror: a responsabilidade da imprensa na cobertura de genocídios e crimes humanitários”. A convidada foi a jornalista Laila Al-Arian, produtora executiva da Al Jazeera, veículo do Catar, e especialista em coberturas de conflitos.

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O encontro foi mediado pelos jornalistas Andrew Fishman, presidente do Intercept Brasil; Damaris Cunha, gerente de comunicação e coordenadora operacional dos Médicos Sem Fronteiras; e Yan Boechat, jornalista de cobertura internacional.

Durante a palestra, Laila destacou a importância da atuação jornalística em contextos como guerras e crises humanitárias, e abordou as principais estratégias para realizar uma cobertura ética, responsável e segura. Segundo a profissional, um dos maiores desafios da cobertura em zonas de conflito é a limitação de acesso a áreas afetadas e os riscos enfrentados pelas equipes de reportagem.

“É muito difícil circular no local, os câmeras tiveram seus equipamentos destruídos e é um desafio fazer com que a reportagem seja compartilhada para o mundo”, afirmou.

Palestra da jornalista Laila Al-Arian, produtora executiva da Al Jazeera, durante Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo, em 10 de julho de 2025.

A jornalista também compartilhou práticas para quem acompanha conflitos armados. “Trabalhar com jornalistas e profissionais locais, pesquisar os riscos da região, saber o idioma ou ter o apoio de pessoas que saibam, e adotar medidas de segurança como o uso de coletes considerando sempre o contexto local”, destacou.

Além das questões de segurança, Laila alertou para os cuidados com a saúde dos profissionais, destacando a necessidade de manter as vacinas em dia e de se preparar para possíveis complicações médicas durante as coberturas.

Outro ponto abordado foi a necessidade de incluir vozes locais, fontes diretamente impactadas pelos conflitos nas reportagens e mídias que fogem de narrativas ocidentais. “É essencial garantir que os assassinatos de palestinos sejam incluídos nas coberturas, nos programas, nas análises, e que essas pessoas tenham espaço para contar suas histórias”, disse. 

Ela também chamou atenção para o risco de reproduzir estereótipos e narrativas distorcidas, reforçando o papel da imprensa em apresentar os fatos com responsabilidade e sensibilidade.

“É importante que as pessoas não se limitem às grandes mídias, porque sabemos que essas instituições têm seus preconceitos, que anseiam sobre seu trabalho, até a decisão de quais histórias cobrir, quanto destaque dar a essas histórias e cujas vidas importam e outras não”, acrescentou.

O Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo segue até o dia 13 de julho e as inscrições estão abertas no site da Abraji.

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  • Thayná Santana

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