O Instituto Marielle Franco anunciou que o ato público convocado para esta quinta-feira (26), na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi cancelado devido à previsão de chuva forte.
A manifestação ocorreria um dia após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar os mandantes do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.
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“As previsões divulgadas pelo Centro de Operações Rio, somadas às notícias que começaram a circular ao longo do dia sobre a chuva forte e às avaliações finais sobre a segurança e proteção de todas as pessoas envolvidas em decorrência disso, nos levaram a tomar essa decisão com responsabilidade e cuidado coletivo”, afirmou o instituto em publicação no Instagram.
A convocação trazia o lema “Da cinelândia pro STF e agora de volta pra Cinelândia”, em referência à trajetória de quase oito anos de mobilizações populares que pressionaram por respostas sobre o caso.
O Instituto Marielle Franco destacou em seu perfil nas redes sociais o papel das manifestações públicas ao longo dos quase oito anos desde o crime.
“Foi a presença do povo que sustentou esses quase 8 anos de caminhada e é ela que seguirá abrindo os caminhos daqui para frente. É tempo de ocupar, de celebrar a força do nosso povo e de reafirmar que a justiça que floresce hoje é fruto da mobilização coletiva“.
Penas históricas
Na quarta-feira (25), a Primeira Turma do STF definiu as penas dos envolvidos no crime. Os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, foram condenados a 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle que sobreviveu ao atentado.
Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu pena de 18 anos pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção. Ele foi absolvido da acusação de participação nos homicídios. Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar, foi condenado a 56 anos de prisão. Robson Calixto, ex-policial militar, recebeu pena de nove anos.
Os condenados estão presos preventivamente há dois anos e poderão recorrer das decisões. A perda dos cargos públicos ocorrerá após o trânsito em julgado das condenações, quando esgotadas as possibilidades de recursos.
O STF determinou ainda o pagamento de indenização por danos morais no valor total de R$ 7 milhões. O montante será dividido da seguinte forma: R$ 1 milhão para Fernanda Chaves, R$ 3 milhões para os familiares de Marielle Franco e R$ 3 milhões para a família de Anderson Gomes.