PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Atlas da Violência: Brasil tem aumento de homicídios e de violência sexual contra mulheres indígenas

Levantamento do Ipea aponta crescimento de 9,25% nos homicídios de indígenas e alta de 481% nos registros de violência sexual contra mulheres indígenas desde 2014
Mulheres indígenas na IV Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília (DF), no dia 4 de agosto de 2025.

Mulheres indígenas na IV Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília (DF), no dia 4 de agosto de 2025.

— Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

27 de maio de 2026

O Brasil registrou, em 2024, um aumento de aproximadamente 9,25% nos homicídios de pessoas indígenas, passando de 227 casos em 2023 para 248 no ano seguinte. As informações são do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (26).

Segundo o levantamento, a taxa de assassinatos entre indígenas, de 24,6 por 100 mil habitantes, foi 22% superior à taxa nacional, de 20,1. Para os pesquisadores, o fenômeno expressa a distribuição desigual da violência contra a população indígena em território nacional. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Os índices, destaca o Ipea, apresentam “padrões seletivos de vitimização associados à condição étnico-racial e à interação de seus territórios com a exploração econômica intensiva”. 

Apesar da diferença percentual, o estudo indica uma redução nos homicídios de indígenas em relação ao início da série histórica, em 2014, que registrou uma taxa de 69,9 homicídios por 100 mil indígenas. A taxa foi mais que o dobro da nacional (30,2). O decréscimo foi analisado até 2019, quando o número caiu para 24,6.

As mortes voltaram a crescer em 2023, contrastando com a constante diminuição na taxa nacional, com 23,4 para os indígenas e 20,1 para a população não indígena (pessoas brancas, negras e amarelas). Os dados coincidem com o aumento nos homicídios entre a população negra, que alcançou 27,3 mortes para cada 100 mil habitantes. 

A diferença entre os casos oficialmente registrados e estimados também foi mais acentuada entre a população indígena, com 27,3 por 100 mil habitantes em 2024, em comparação a 23,4 na população nacional. O cenário expõe um contexto de limitações na documentação de mortes de indígenas.

Leia mais: Atlas da Violência: negros têm 170% mais risco de homicídio no Brasil e quase 90 são mortos por dia

Casos de violência sexual contra mulheres indígenas têm aumento 481%

Ainda de acordo com o Atlas da Violência, todos os tipos de violência contra mulheres indígenas apresentaram um crescimento expressivo, com a violência física como forma predominante em todo o período. Os casos desse tipo de agressão passaram de 359 em 2014 para 1.330 em 2024, um salto de aproximadamente 270%. 

“Esse padrão sugere que a violência física constitui o núcleo mais visível e recorrente da vitimização, funcionando como indicador central da exposição cotidiana à violência”, do levantamento.

Os dados, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, demonstram um crescimento acelerado nos registros de violência sexual. Os casos aumentaram de 115 em 2014 para 669 em 2024, uma expansão de cerca de 481%. 

Mesmo com números absolutos menores, a negligência e a violência psicológica, descritas como historicamente subnotificadas, também tiveram crescimento relevante. Em onze anos, as ocorrências foram de 21 para 168.

O relatório aponta que as informações evidenciam uma limitação estrutural nas políticas públicas de proteção às mulheres indígenas, que não correspondem aos contextos socioculturais específicos. Os pesquisadores afirmam que a falta de estruturas estatais contribui para a continuidade da violência e da impunidade. 

Leia mais: Menos de 1% dos líderes de grupos de pesquisa são indígenas

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano