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Protesto indígena em Santarém (PA) contra dragagem no Rio Tapajós completa 12 dias

A ocupação no porto da multinacional norte–americana Cargill denuncia o decreto presidencial que incluiu o Rio Tapajós no Plano Nacional de Desestatização (PND), permitindo a privatização da manutenção da navegabilidade
Indígenas protestam no porto da Cargill, em Santarém (PA), no dia 1 de fevereiro de 2026.

Indígenas protestam no porto da Cargill, em Santarém (PA), no dia 1 de fevereiro de 2026.

— Reprodução/Kevin Egonza/Citatb

2 de fevereiro de 2026

A ocupação dos 14 povos indígenas do Baixo Tapajós no porto da empresa multinacional norte-americana Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, completou 12 dias nesta segunda-feira (2). Além dos indígenas, a ação tem apoio da sociedade civil.

Iniciada no dia 22 de janeiro, a articulação requer a derrubada do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento inclui hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização (PND) e possibilita a privatização de serviços de manutenção da navegabilidade, como a dragagem.

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O processo de dragagem consiste na retirada de sedimentos no fundo do rio para aumentar a largura e a profundidade do leito. Além de alterar o curso da água, a prática põe em risco a pesca, o território e o modo de vida dos povos tradicionais que vivem na região.

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Citatb) informou que os editais de licitação já foram iniciados pelo governo federal, sem a devida realização do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). A consulta prévia, livre e informada às comunidades também não teria sido realizada. 

Em nota nas redes sociais, a Citatb informou que, na manhã desta segunda-feira, foi realizado um ritual de abertura que reuniu as 14 etnias do Baixo Tapajós.

“É com espiritualidade, união e resistência que seguimos firmes na ocupação, reafirmando nossos direitos, nossa ancestralidade e a defesa da vida e do território. Seguimos. Os povos do Baixo Tapajós estão de pé”, diz trecho do comunicado.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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