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Santos (SP) inaugura 1º Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado no Brasil

Equipamento público reúne acolhimento psicossocial, produção de conhecimento e defesa de direitos; lançamento ocorre nesta quarta (4) na quadra da Unidos da Zona Noroeste
Débora Maria da Silva, co-fundadora do Mães de Maio.

Débora Maria da Silva, co-fundadora do Mães de Maio.

— Reprodução/Gabriel Guerra/Conectas

2 de março de 2026

Santos, no litoral paulista, recebe nesta quarta-feira (4) o lançamento do Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado (CMVV). Trata-se do primeiro equipamento público do país dedicado à memória, à verdade e ao cuidado de vítimas da violência de Estado e seus familiares. O evento ocorre das 15h às 19h na quadra do GRCAS Unidos da Zona Noroeste, com programação aberta ao público.

A ação interministerial apresenta um projeto-piloto nacional de memória, acesso a atendimento psicossocial e defesa de direitos. A iniciativa foi construída a partir da luta de famílias, em especial do Movimento Independente Mães de Maio e da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, em colaboração com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e organizações de direitos humanos.

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O evento terá palestras institucionais sobre a implantação do centro e o anúncio das áreas de atuação. Um momento de escuta com mães e familiares de vítimas da violência de Estado na Baixada Santista garantirá espaço de fala para quem carrega a memória das vítimas.

A programação cultural ocorre das 16h30 às 18h30, com apresentação da escola de samba Unidos da Zona Noroeste e roda de samba com Roberta Oliveira.

Débora Maria da Silva, cofundadora do Movimento Mães de Maio, definiu o significado do novo espaço em declaração à Alma Preta, em dezembro. “Este projeto nasce do compromisso inegociável com a manutenção da vida do povo negro e periférico. É uma resposta direta à lógica genocida que historicamente tenta transformar nossos filhos e parentes em números frios e estatísticas vazias. Aqui, a memória é nossa maior arma, uma ferramenta de luta, de proteção e de verdade.”

Segundo a ativista, o centro será “um espaço de acolhimento real, com suporte às famílias que enfrentam a violência de Estado. Um lugar para que nenhuma história seja silenciada e para que nosso luto continue se transformando em luta.”

Projeto CAIS – Mães por Direitos

O CMVV também apresenta o Projeto CAIS – Mães por Direitos, resultado de cooperação técnica entre a Universidade Federal de São Paulo e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

A iniciativa se integra às ações do Centro de Memória e tem como eixo a construção de respostas institucionais a partir do protagonismo dos familiares de vítimas da violência de Estado e dos movimentos sociais que atuam nos territórios.

O projeto articula frentes complementares de atuação. A primeira concentra-se no acolhimento avançado, com atendimento humanizado às famílias, orientado por uma abordagem de saúde integral que acompanha os impactos da violência sobre corpos, mentes e comunidades. O cuidado considera trauma, memória e pertencimento comunitário como dimensões inseparáveis do atendimento.

Outra frente se dedica à produção de conhecimento acadêmico-social, por meio de pesquisas e estudos sobre direitos humanos, violência de Estado e processos de luta. Esses trabalhos partem do conhecimento produzido pelos próprios familiares das vítimas e pelos movimentos sociais, integrando saberes acadêmicos e experiências territoriais.

A terceira frente busca o fortalecimento institucional do CMVV, por meio de uma estrutura de cooperação que conecta a gestão do Centro à rede federal de políticas públicas. Nesse arranjo, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD) atua como eixo de gestão, enquanto a Unifesp oferece suporte técnico e científico às ações desenvolvidas.

Serviço

Lançamento do Centro de Memória às Vítimas da Violência de Estado

Quando: 4 de março (quarta-feira)

Horário: das 15h às 19h

Onde: GRCAS Unidos da Zona Noroeste – Rua Prof. Francisco Di Domênico, s/nº – Santos (SP)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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