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Acervo on–line preserva história do bloco Cacique de Ramos, fundado por Bira Presidente

Bloco se consolidou como um dos maiores espaços culturais e afro-brasileiros, considerado patrimônio cultural e imaterial do Rio de Janeiro
O sambista Bira Presidente, fundador do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal.

O sambista Bira Presidente, fundador do bloco Cacique de Ramos e do grupo Fundo de Quintal.

— Reprodução/Funarte

16 de junho de 2025

Símbolo do samba e da cultura carioca, o  Cacique de Ramos se tornou a casa de grandes nomes do samba, como Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Elza Soares e Xande de Pilares. Fundado por Bira Presidente, que faleceu no último dia 14 de junho, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, o bloco se consolidou há seis décadas como uma das manifestações afro-brasileiras mais importantes.

Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, moldou essa história ao fundar o bloco em 1961, ao lado de sambistas do bairro de Ramos, na Zona Norte da capital fluminense, para desfilar no Carnaval de rua daquele ano.

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A história do bloco é preservada pela exposição virtual “Cacique de Ramos: Seis Décadas de Carnaval”,  que registra a trajetória da agremiação com imagens de alas, desfiles, fantasias e eventos marcantes que atraem foliões de várias regiões do Rio até hoje.

A ancestralidade e a cultura nos desfiles

Com as cores preto, branco e vermelho, o bloco ganhou destaque pela mistura com a religiosidade da Umbanda e do Candomblé. A origem do nome e do tema possui diferentes versões ligadas às religiões de matriz africana e à ancestralidade. O símbolo da agremiação, o cacique, ganhou relevância por estar associado aos caboclos, entidades da Umbanda, além de os fundadores pertencerem a famílias com nomes de origem indígena.

A figura do indígena também representava a força que o bloco queria transmitir, reunindo sambistas e foliões de alto nível. Nas alas, homens e mulheres desfilam com fantasias inspiradas em indígenas brasileiros e norte-americanos, que foram se transformando ao longo dos anos.

A multidão no bloco Cacique de Ramos, no Carnaval de 1970. (Foto: Reprodução/Biblioteca Nacional)

A popularidade no meio da música

Após o sucesso de “Água na Boca”, no Carnaval de 1964, o grupo recebeu diversos convites. Entre os destaques está sua própria produção musical: foram seis LPs com 12 faixas, incluindo Cacique de Ramos com Abílio Martins (1967), um compacto duplo com Elza Soares (1968) e a participação em quatro discos coletivos com diversas agremiações e intérpretes.

No início dos anos 1970, o Cacique de Ramos se estabeleceu com uma sede e passou a realizar rodas de samba que se tornaram sucesso nacional, com músicos como Beth Carvalho, com o álbum “De Pé no Chão” (1978), e na voz do grupo Fundo de Quintal, também criado por Bira Presidente, que lançou seu primeiro álbum em 1980. As músicas falavam de amor, desencontros, do próprio bloco e, sobretudo, do Carnaval. As tradicionais rodas de samba incorporaram novos instrumentos como o tantã, o banjo e o repique de mão.

Em 2021, a Mangueira homenageou o bloco em seu desfile na Sapucaí com o enredo “Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira”.
Ativo há mais 61 anos, o Cacique de Ramos mantém viva sua essência e segue realizando seu tradicional pagode aos domingos. No ano passado, o bloco foi considerado patrimônio histórico, cultural e imaterial pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

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  • Thayná Santana

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