A coletânea “Gaza no Coração: história, resistência e solidariedade na Palestina” é uma das semifinalistas da segunda edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, na categoria Divulgação Científica. A obra, publicada pela editora Elefante, reúne textos de 47 autores que abordam os múltiplos aspectos da luta palestina por libertação.
Entre os capítulos da obra está “Negros e Palestinos: os condenados da terra contra o colonialismo”, escrito por Pedro Borges, co-fundador e diretor da Alma Preta; Simone Nascimento, coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU); e Douglas Belchior, diretor do Instituto de Referência Negra Peregum.
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O texto estabelece conexões entre as lutas dos povos negros e do povo palestino, com base na crítica ao colonialismo e na ideia de solidariedade internacional como instrumento de resistência.
Organizado pelo historiador Rafael Domingos Oliveira, Gaza no Coração se articula em torno de um conceito que atravessa os diferentes capítulos: a solidariedade como princípio ético e político diante da crise humanitária em curso nos territórios palestinos. A inspiração do título vem do livro homônimo do poeta chileno Pablo Neruda, publicado em 1937, que tratava da Guerra Civil Espanhola.
Com contribuições de intelectuais, ativistas e educadores brasileiros, a coletânea pretende oferecer subsídios para a desconstrução de narrativas hegemônicas que justificam a opressão e o genocídio na Palestina, há mais de 75 anos.
Responsável pela organização da coletânea, Rafael Domingos Oliveira é doutorando em história social pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atua como pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Afro-América (Nepafro) e coordenador do Núcleo de Acervo e Pesquisa do Theatro Municipal de São Paulo. É também autor de “Vozes afroatlânticas: autobiografias e memórias da escravidão e da liberdade”.
Obra sobre impacto da revolução haitiana no Brasil também é semifinalista
Além da indicação de “Gaza no Coração”, o Jabuti Acadêmico também inclui entre os semifinalistas o pesquisador Marcos Queiroz, com o livro “Assombros da Casa Grande”, na categoria Direito. A obra “disseca a perversidade — jurídica, social e histórica — por trás da branquitude brasileira“, como afirma o advogado e professor de direito internacional e direitos humanos Thiago Amparo no texto de orelha.
“Aquele Marcos sonhador, do início do mestrado, que tinha só uma hipótese sobre Revolução Haitiana e Assembleia de 1823, não imaginava o tanto de caminhos que se abririam dali em diante. Só gratidão pela partilha e pelas alegrias ao longo dessa estrada!”, comemorou Queiroz em suas redes sociais.