O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, inaugurou a exposição “Inclassificáveis”, primeira mostra pública do acervo Con/Vida após a maior repatriação de obras de arte realizada no Brasil.
A exposição apresenta o primeiro recorte de um conjunto de mais de 660 peças recentemente retornadas ao país, com trabalhos de artistas baianos, cearenses e pernambucanos que estavam há décadas nos Estados Unidos.
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As obras, entre pinturas e esculturas, integravam o Instituto Con/Vida, em Detroit, e foram reunidas ao longo de mais de 30 anos pelas colecionadoras estadunidenses Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que formalizaram a doação ao museu. Agora, mais de 100 trabalhos compõem a mostra inaugural, marcando o início da apresentação pública do acervo ao público brasileiro.
Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, “Inclassificáveis” propõe uma leitura que desafia categorias historicamente atribuídas à produção artística negra.
Segundo Jamile, também diretora artística do MUNCAB, a exposição se posiciona criticamente diante da tradição classificatória que, por décadas, enclausurou essas obras sob rótulos como “naif” ou “primitiva”.
“Esta exposição é mais que uma mostra de obras, é um gesto contra a tradição classificatória que tentou enclausurar a arte negra em categorias simplistas e racistas. O que trouxemos ao MUNCAB desafia essas fronteiras, aproximando o público da diversidade estética, histórica e política que sempre existiu na produção artística afro-brasileira”, afirma.
Para a diretora-geral do museu, Cintia Maria, a incorporação do acervo tem dimensão histórica. “Estamos falando do maior retorno de obras de arte feito ao Brasil. Esse acervo amplia de forma significativa o patrimônio público e fortalece a presença de artistas do Nordeste na narrativa nacional das artes visuais. Não estamos apenas trazendo obras de volta. Estamos reposicionando narrativas.”
Dividida em três núcleos, Restituir Sentidos, Escolas Invisíveis e Cotidianos, a mostra apresenta artistas como Sol Bahia, José Adário, J. Cunha, Louco Filho e Babalu, entre outros. As obras evidenciam trajetórias e linguagens diversas, com forte vínculo com territórios como o Pelourinho e cidades do Recôncavo Baiano. A expografia é assinada por Gisele de Paula e a identidade visual por Ranulfo Magalhães e M. Dias Preto.
O processo de repatriação envolveu etapas diplomáticas, jurídicas e técnicas, incluindo transporte internacional especializado, regularização documental e procedimentos de conservação. A operação contou com parceria do Ministério da Cultura e foi viabilizada por meio da Lei Rouanet, com recursos do Fundo Nacional de Cultura e patrocínio da Petrobras. O financiamento contemplou tanto a incorporação museológica do acervo quanto a realização da exposição.
Serviço
Exposição “Inclassificáveis”
Visitação: terça a domingo, das 10h às 17h (última entrada às 16h30)
Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador (BA)
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Gratuidade: Quartas-feiras e domingos
Classificação indicativa: Livre