Lendo os comentários nas redes sociais, depois da operação no Rio de Janeiro, notei como a questão racial, em alguns casos, é dissociada da complexidade do racismo no Brasil.
As pessoas brancas com aderência às ideias da extrema direita, defensoras do extermínio de negros e indígenas, e todos que se distanciam do padrão branco, cisgênero e heterossexual, aproveitavam para dizer que os assassinados eram na maioria brancos. Não porque achavam que ocorreu a violação dos direitos humanos, mas para descredibilizar o discurso de que estamos diante do genocídio de negros.
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Por outro lado, parcela das pessoas negras, mesmo orientadas na luta antirracista, tendo como referência as imagens dos corpos veiculadas pelas redes sociais e meios de comunicação, apontavam que os assassinados eram em sua maioria brancos; remetendo ao debate conhecido como “colorismo”.
Acho deplorável essas pessoas ignorarem que a grande massa de moradores de comunidades são pessoas pretas e pardas, descendentes de pessoas negras, ainda que tenham a pele com a tonalidade distinta a um dos pais. Essas opiniões ignoram que muitas mulheres chorando as consequências da ação policial eram negras, tanto as crianças e parentes das vítimas.
O nosso país passou por um processo de ideologia do branqueamento. Isso é um fato histórico que impactou toda a formação social, causando movimentos de idas e vindas na miscigenação das famílias, da população. Por essa razão, observa-se que o número de pardos é maior do que o número de pessoas pretas no Brasil.
De qualquer maneira, ambos pertencem ao mesmo grupo racial. Somos negros! E, como escreveu o importante nome do Movimento Negro, Abdias Nascimento, “não vamos perder tempo com distinções supérfluas”.