É desafiador enxergar um futuro com sonhos realizados. Para muitas pessoas, a ponte que viabiliza esse processo dificilmente será levantada. Há caminhos que precisam ser maturados, desenvolvidos e possibilitados em um país com tanta desigualdade social e racial. Essas barreiras são potentes e geralmente têm o poder de minar trajetórias de muitos jovens negros e negras no Brasil.
Infelizmente, esse cenário não é um achismo ou mera suposição. Com referência no segundo trimestre de 2024, dados da FGV-IBRE revelam que trabalhadores com ensino superior recebem 156% mais que os menos escolarizados. Junto a esse dado, compreende-se a demanda de atender a população negra, uma vez que devido ao racismo estrutural, ela representa 71,6% da população não alfabetizada no Brasil, de acordo com a plataforma Retratos da População Negra do Brasil, da Alma Preta.
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Com o propósito de gerar mudança em muitos futuros, a Somos CIEE e a Nike – por meio da Fisia, distribuidora oficial da marca no Brasil, firmaram uma parceria em 2021 que já resultou em dois editais com bolsas de estudo voltadas a jovens negros e negras da região metropolitana de São Paulo, incluindo participantes de ONGs que incentivam o esporte. A motivação da iniciativa parte dos resultados que as ações afirmativas trouxeram ao Brasil, entre 2001 e 2021, um salto de 31,5% a 52,4% de estudantes negros e indigenas matriulados em universidades públicas.
A partir disso, o programa de quatro anos, realizado com a primeira turma entre 2022 e 2025, vem promovendo acesso ao ensino superior, reforçando o compromisso das marcas na promoção da diversidade, equidade e inclusão social. Para além das bolsas 100% integrais, os beneficiários contam com auxílio/suporte financeiro durante todo o período de formação para custeio de transporte e alimentação, além de apoio psicossocial e profissional conduzido pela Somos CIEE.
A ação institucional das organizações é uma faísca de esperança, que por meio do acesso ao conhecimento mostra que a inserção e as oportunidades precisam ser ampliadas e consolidadas. O programa é um símbolo de que “não há nós, sem nós”, reforçando a importância do coletivo e a valorização da ancestralidade negra.
No fim deste ano de 2025, o ciclo de 4 anos de graduação será encerrado, com a expectativa sobre a segunda turma, constituída em 2024, fruto do sucesso do programa. A primeira turma contará com jovens formados nos cursos de Educação Física, Administração e Tecnologia da Informação.
Para ilustrar e narrar esse momento de construção do legado e celebração do programa, a Alma Preta será a voz e plataforma condutora do registro dessa história. Por meio da lente e da “caminhada” de comunicadores negros/as da agência de comunicação, os próximos três meses serão parte fundamental da documentação.
Em um cenário de desigualdades sociais e raciais, as organizações envolvidas desejam inspirar outras ações de mesmo cunho. Por meio do esporte e da educação, elas entendem que a porta de entrada precisa ser construída e lapidada com serviços de apoio complementares. A hora é agora, junte-se nesse propósito e acompanhe os desdobramentos dessas narrativas na Alma Preta.