A comunidade congolesa em São Paulo promove, no próximo sábado (2), um ato em homenagem às vítimas do genocídio na República Democrática do Congo.
O encontro será das 15h às 18h e está marcado na Casa Marx, na Praça Américo Jacomino, 49. O espaço fica ao lado do metrô Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista.
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A iniciativa é do movimento A voz do Congo, grupo formado por imigrantes congoleses aqui no Brasil. Segundo os organizadores, será “um dia de memória para honrar as 10 milhões de vítimas da RD Congo, país que sofreu uma dos maiores genocídios da história, muitas vezes esquecido pelo mundo”.
O ato em São Paulo é parte de uma articulação internacional da sociedade civil congolesa, que se mobiliza desde 2013 para que seja reconhecido o Genocusto. O termo que designa os crimes sofridos pelo povo congolês e seu custo humano e econômico.
Em 2023, um memorando oficial, assinado por mais de 60 organizações, foi submetido às autoridades congolesas. Ele solicita reconhecimento legal do genocídio congolês; justiça, reparações e fim da impunidade; reforma jurídica; e apoio da comunidade internacional.
No sábado, haverá atos em outras cidades no mundo, como Londres, Bruxelas, Dublin, Lyon, Paris, Washington, Nairobi, além de 19 cidades na RD Congo.
Em São Paulo, o ato contará com um momento de debate com Prosper Dinganga, articulador de A Voz do Congo, um dos organizadores do evento; Pedro Borges, jornalista da Alma Preta; e Marcello Pablito, organizador do livro “A Revolução e o Negro”.
Mortes e deslocamentos de congoleses
A RD Congo está em guerra na região leste do país, e a população continua a sofrer com as mortes e a fome.
A cidade de Goma, capital do Kivu do Norte, e Bukavu, capital do Kivu do Sul, estão sob controle do M23, grupo rebelde apoiado por Ruanda desde o início deste ano. As estimativas oficiais apontam para mais de 7 mil mortes somente em janeiro e fevereiro deste ano. Não há uma contagem oficial de quantos mortos o conflito deixou nos últimos meses.
Quase 150 mil pessoas fugiram do país somente de janeiro a maio deste ano, 95% para o Burundi ou Uganda. A estimativa é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
A atual investida do M23 é apenas mais um capítulo dos conflitos no Leste da RDC. Em 1996, quando ocorreu a chamada Primeira Guerra do Congo, aproximadamente 200 mil pessoas perderam suas vidas. As estimativas são de mais de 6 milhões congoleses mortos desde então.
Segundo os cálculos do ACNUR, o deslocamento dentro da RD Congo atingiu níveis sem precedentes. Até o final do ano passado, 7,8 milhões de pessoas estavam deslocadas internamente, o número mais alto já registrado.
Discussões de paz no leste da RD Congo
A RD Congo e Ruanda assinaram um acordo de paz no dia 27 de junho, em Washington, sob a mediação dos Estados Unidos. O acordo prevê a saída do exército de Ruanda em 90 dias dos territórios ocupados e ações conjuntas entre os dois exércitos para enfrentar as Forças Democráticas para Libertação de Ruanda (FDLR).
O M23 ficou de fora do acordo assinado em Washington. O grupo rebelde apoiado por Ruanda tem participado de rodadas de negociações em Doha, no Catar, com o governo da RD Congo.
No dia 19 de julho, as duas partes afirmaram ter construído uma carta de princípios e há uma expectativa de início das negociações para um acordo de paz no dia 8 de agosto.
Apesar das discussões de paz, a cidade de Uvira, no Kivu do Sul, tem mobilizações de tropas congolesas e rebeldes. No norte, na província de Ituri, na divisa com Uganda, os conflitos entre os grupos armados também continuam, apesar de tratados de paz entre as milícias da região.
Serviço:
Genocost: Justiça, Memória e Dignidade
Quando: 2 de agosto (sábado), das 15h às 18h
Onde: Casa Marx – Praça Américo Jacomino, 49, Sumarezinho, ao lado do metrô Vila Madalena, em São Paulo
Contato:@coletivoavozdocongo (Instagram)