Estudo aponta falhas no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

Estudo do Ministério dos Direitos Humanos e do PNUD revela lacunas em seis áreas e propõe banco de boas práticas para orientar políticas públicas
Imagem de uma criança negra acessando um celular.

Imagem de uma criança negra acessando um celular.

— Reprodução/Pexels

12 de setembro de 2025

A Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA) do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apresentou na quarta-feira (10) o resumo executivo do projeto “Diagnóstico da Violência Sexual Online – Crianças e Adolescentes”. 

A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e executada pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec).

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O estudo foi conduzido pelo Observatório da População Infantojuvenil em Contextos de Violência da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (OBIJUV/UFRN) e integra um projeto de fortalecimento da garantia do direito à vida e da redução da violência contra crianças e adolescentes no Brasil.

O diagnóstico mostra que, apesar dos avanços no marco legal e em ações de prevenção, o Brasil enfrenta lacunas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. O levantamento analisou seis domínios: políticas públicas e governança, justiça criminal, priorização da vítima, responsabilidade da sociedade, responsabilidade do mundo corporativo e atuação da mídia e comunicação.

Foram identificadas boas práticas nacionais e internacionais e apresentadas recomendações para fortalecer o enfrentamento ao problema.

Necessidade de aprimorar dados e legislação

Durante a apresentação, a coordenadora-geral de Enfrentamento às Violências da SNDCA, Célia Nahas, destacou a importância de melhorar os mecanismos de coleta, análise e integração de dados sobre violência sexual on-line. Para ela, a consolidação de informações é essencial para orientar uma legislação mais robusta e específica.

“A violência sexual no ambiente digital muda o tempo todo. Precisamos de respostas coordenadas, baseadas em evidências e construídas com a participação da sociedade. Esse diagnóstico é um passo essencial nesse caminho”, afirmou em nota ministerial.

Segundo Nahas, o estudo também amplia o olhar para outras violações no ambiente digital, como exploração, aliciamento, trabalho infantil e incentivo à automutilação. Ela defendeu que o momento é decisivo para fortalecer o debate público e revisar o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

A coordenadora lembrou ainda que a aprovação do Projeto de Lei 2628, que aguarda sanção presidencial, representa uma vitória no enfrentamento às violações digitais e reafirma o compromisso do Estado com a proteção de crianças e adolescentes.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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