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Comissão da Mulher da Câmara declara apoio à professora negra que teve nomeação anulada pela USP

Moção foi proposta pela deputada Erika Hilton após a professora Érica Bispo denunciar que foi impedida de assumir o cargo
A professora e doutora Érica Bispo.

A professora e doutora Érica Bispo.

— Reprodução/Redes sociais

23 de outubro de 2025

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (22) uma moção de apoio à professora e doutora Érica Bispo, que teve anulada sua aprovação em primeiro lugar em um concurso para vaga de docente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

Conforme noticiado pela Alma Preta, a professora negra havia sido aprovada para lecionar Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, mas foi impedida de exercer a função após outros seis concorrentes abrirem um recurso alegando que Érica já esteve em eventos acadêmicos que membros da banca examinadora também estiveram.

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Para a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que propôs a moção, o recurso e a anulação são discriminatórios.

“É completamente normal que pessoas que pesquisam ou são qualificadas pra falar sobre o mesmo tema, ainda mais um tema específico como este, estejam no mesmo evento acadêmico. Se isso for irregular, que demitam todos os professores da USP e a Universidade passe a contratar apenas docentes irrelevantes em suas áreas de pesquisa. Mas, como sabemos que isso nunca foi considerado irregular, pois não é, considero este recurso e esta anulação como completamente discriminatórios”, afirma a parlamentar, em comunicado à imprensa.

A decisão de anulação foi tomada no dia 18 de março pelo Conselho Universitário da USP, órgão máximo da instituição. Já em outubro, Érica abriu uma ação judicial contra a USP e usou as redes sociais para denunciar o ocorrido, apontando que se trata de racismo.

Na proposta de moção, a deputada federal aponta que o caso revela o “funcionamento do racismo institucional e do sexismo estrutural nas universidades brasileiras, que seguem impondo barreiras à presença de mulheres negras em espaços de produção científica e docência superior”.

“No fim do dia, a anulação da aprovação da Professora Érica Bispo se dá apenas por ela, uma mulher negra, ter uma pesquisa em literatura africana valiosa a ponto dela estar nos mesmos eventos acadêmicos que aqueles que a avaliam”, conclui Erika Hilton.

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