‘Educar é dividir coragem’: Douglas Belchior estreia na literatura infantil com obra sobre amizade e solidariedade

Em “Vamos dividir?”, o autor narra a história de Luanda e seus amigos, mostrando às crianças que solidariedade, empatia e senso de pertencimento são ensinamentos tão valiosos quanto o conhecimento
Ilustração presente no livro infantil "Vamos Dividir", de Douglas Belchior.

Ilustração presente no livro infantil "Vamos Dividir", de Douglas Belchior.

— Bárbara Quintino

1 de novembro de 2025

O escritor Douglas Belchior lançou em outubro seu primeiro livro infantil, “Vamos dividir?”, que aborda amizade, empatia, generosidade e o valor de compartilhar. Destinada a crianças de seis a oito anos, a obra combina versos envolventes com ilustrações vibrantes de Bárbara Quintino. A Pallas Míni, selo infantil da Pallas Editora, é responsável pelo lançamento.

Para o autor, cada história contada na infância é também uma lição de cidadania. “Ler é sonhar o mundo, e educar é dividir coragem, formar corações que resistam à indiferença e brilhem juntos como estrelas no mesmo céu”, defende em entrevista à Alma Preta.

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Belchior vê o livro como um manifesto. “Vamos dividir? nasce da certeza de que a educação é mais do que transmissão de conteúdo, é um exercício de humanidade”. A história de Luanda e seus amigos reflete a experiência do autor como educador e fundador da Uneafro Brasil, rede de cursinhos que já abriu portas da universidade para milhares de jovens negros e periféricos. 

“O conhecimento só tem sentido quando é compartilhado, e a solidariedade é o maior aprendizado que uma criança pode levar para o futuro. Estudar é um gesto de amor coletivo, e dividir o saber é multiplicar a esperança”, afirma.

Ilustração por Bárbara Quintino

Representatividade e identidade negra

A protagonista Luanda, menina preta de tranças que se movimentam como borboletas, é mais do que um personagem, uma afirmação política. O escritor ressalta que incluir crianças negras nas histórias é devolver a elas o direito de se verem como belas, inteligentes e dignas de amor. 

“Cada traço, cada tom de pele, cada cabelo é uma afirmação política. Nossas crianças merecem se enxergar nas histórias que leem. Isso molda identidade, autoestima e pertencimento”, destaca. 

Alguns nomes dos personagens foram inspirados nos filhos do autor, como forma de continuidade e resistência. No livro, as estrelas simbolizam generosidade e pertencimento. Quando Luanda tenta guardá-las só para si, o mundo escurece; ao devolvê-las, a vida volta a brilhar. 

“O brilho da vida está no encontro, na partilha, na comunhão. Para crianças, o céu estrelado é a tela onde se aprende brincando, o que é generosidade, empatia e pertencimento. Cada estrela é um lembrete de que ser feliz sozinho é impossível”, explica.

O texto, em ritmo de cantiga, aproxima a criança da oralidade e da cultura popular, enquanto as ilustrações de Bárbara Quintino trazem cores intensas e transformam o cotidiano infantil em poesia visual. “Texto e imagem se encontram como verso e melodia: juntos, ensinam que dividir é fazer o mundo cantar em harmonia”, observa o autor.

Para Douglas, a literatura infantil é um território de transformação social. “Ler é sonhar o mundo, e o que uma criança descobre sobre si mesma nas histórias molda aquilo em que acredita poder se tornar. Educar é dividir coragem, formar corações que resistam à indiferença e brilhem juntos, como estrelas compartilhando o mesmo céu”, finaliza. 

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  • Formado em Jornalismo e licenciado em Letras-Português, morador da periferia de Maceió (AL) e pós-graduado em jornalismo investigativo pelo IDP. Com experiência em revisão, edição, reportagem, primeira infância e jornalismo independente. Tem trabalhos publicados no UOL (TAB, VivaBem, ECOA e UOL Notícias), Agência Pública, Ponte Jornalismo, Estadão e Yahoo.

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