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Lula declara apoio a resolução que define escravidão como maior crime contra a humanidade

Em cúpula de chefes de estado, o presidente brasileiro citou a proposta apresentada pelo presidente de Gana; expectativa dos movimentos negros é que o apoio seja formalizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) - África, e do I Fórum CELAC-África, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de março de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) - África, e do I Fórum CELAC-África, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de março de 2026.

— Ricardo Stuckert/PR

23 de março de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou apoio a resolução que busca o reconhecimento formal do tráfico transatlântico de escravos como o mais grave crime contra a humanidade.

A declaração foi feita no sábado (21) durante a abertura da X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) – África, e do I Fórum CELAC-África, em Bogotá, na Colômbia.

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“O Brasil apoia a resolução do Grupo Africano da Organização das Nações Unidas que declara que o tráfico de africanos escravizados como um dos mais graves crimes  contra a humanidade”, disse o presidente brasileiro durante o discurso.

A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Dramani Mahama, durante o debate geral da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro de 2025.

Em março, a Coalizão Negra por Direitos solicitou  ao governo federal apoio à proposta, que pode reabrir o debate em escala global sobre memória histórica e reparações pela escravidão. Agora, a expectativa dos movimentos negros é de que o apoio do Brasil à resolução seja formalizado.

As organizações que compõem a Coalizão argumentam que o Brasil ocupa posição central nessa discussão, por ter sido o principal destino de africanos escravizados no mundo e por ter estruturado grande parte de sua formação econômica e social a partir do trabalho compulsório de populações negras, além de ainda conviver com profundas desigualdades raciais.

Segundo o manifesto, mais de 12 milhões de africanos foram embarcados no tráfico transatlântico ao longo de quatro séculos. Cerca de 10,7 milhões chegaram vivos às Américas, enquanto entre 1,5 milhão e 2 milhões morreram durante a travessia do Atlântico, um trajeto que historiadores descrevem como um dos maiores cemitérios da história moderna.

”Para as organizações, reconhecer formalmente esse sistema como crime contra a humanidade representa um passo decisivo para consolidar bases políticas e jurídicas para o debate internacional sobre reparações”, afirma o documento.

O manifesto também destaca que o Brasil abriga a maior população afrodescendente fora do continente africano e possui tradição diplomática na defesa do multilateralismo e da cooperação com países do Sul Global. 

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  • Thayná Santana

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