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Ebony dialoga com novas gerações em novo álbum 

Em entrevista à Alma Preta, rapper questiona a falta de participação masculina no enfrentamento da violência de gênero
A rapper Ebony.

A rapper Ebony.

— Divulgação/Fernando Mendes

7 de abril de 2026

A rapper Ebony lançou, na última segunda-feira (6), seu novo álbum “KM2 (De Luxo)”, uma versão estendida de seu mais recente lançamento, com quatro faixas inéditas. Com referências a grandes nomes do feminismo negro, a obra equilibra reflexões sobre vivência, autoestima e negritude com as batidas do hip-hop.

Em entrevista à Alma Preta, Ebony relata que optou por uma versão “abrasileirada” do termo “Deluxe”, tradicionalmente utilizado para lançamentos do gênero, como uma forma de se distanciar de termos norte-americanos e se aproximar do público. 

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“Os meus pais, por exemplo, são de 1952 e 1955, respectivamente. E eles só têm até a terceira série, então, quando contava o que estava fazendo, eles falavam: ‘O que você está fazendo, filha?’. Eu não estava conseguindo me comunicar com pessoas que, para mim, são essenciais. Nós falamos português”, explica. 

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Suas músicas, expõe a artista, são pensadas para externalizar suas próprias experiências e inseguranças enquanto mulher negra, o que resulta em grande sentimento de representatividade para as ouvintes. 

Citando Aqualtune e Dandara, como na canção “Sangue Ruim”, a rapper se aprofunda nas facetas da mulheridade negra e, entre contrapontos, destaca:

“Dei à luz à favela. Se tua casa está limpa, é porque eu limpei ela. Sou Dandara, Iara, Aqualtune e Maria. Sou sua ama de leite, sou quem faz sua comida.” 

Após mobilizar milhares de fãs, a cantora diz ter compreendido a responsabilidade que envolve influenciar meninas, adolescentes e mulheres negras. 

Ela afirma que decidiu buscar cada vez mais novas referências que contribuíssem para o empoderamento de outras, aprofundamento esse que, previamente, a ajudou a se compreender enquanto uma pessoa negra. 

Na música “Sojourner Truth”, que homenageia a importante abolicionista afro-americana, Ebony narra a história da ativista e o machismo presente no discurso masculino sufragista da época, que atribuía fragilidade às mulheres. 

Foi neste contexto que Truth questionou, em sua célebre frase: “E eu não sou uma mulher?”.

“Eu tinha que trazer esse nome, principalmente sendo alguém que é ouvido por pessoas tão jovens e que talvez não tenham conhecido a história dela. Quando alguém ouve sem conhecer a história e busca saber, todo mundo ganha. Se uma menina de 14 anos vai descobrir quem é a Sojourner Truth por meio da minha música, todas nós ganhamos”.

Leia mais: “E eu não sou uma mulher?”

“Extraordinária” é o nome da canção que levou milhares de ouvintes, de todas as faixas etárias, a compartilharem vídeos nas redes sociais ao som da rapper. A letra reafirma a beleza dos traços negros e serviu como inspiração para diversas jovens negras. 

Em relação à comoção, Ebony celebra poder contribuir para a cura dos reflexos do racismo na autoestima das mulheres e meninas negras. Para honrar o posto de inspiração, a artista também buscou trazer horizontes e perspectivas mais positivas para sua lírica. 

“Sinto que cada vez mais as minhas letras foram para esse lugar de feridas, curas e traumas. De ver por outro ângulo e saber que tem menininhas se vendo por outro ângulo”, ressalta. 

Violência de gênero

A cantora, que participou do lançamento do Pacto Nacional contra o Feminicídio, iniciativa do governo federal, diz que é necessário que os homens do rap se posicionem sobre a escalada de violência contra mulheres. 

Para Ebony, a sociedade dá voz a homens que não querem contribuir com a causa, enquanto nega espaço para mulheres que experienciam o machismo diariamente. 

“Já que todo mundo está olhando para eles, que todo mundo quer saber o que eles têm a dizer, pergunte a eles por que não estão nas manifestações. Por que não estão movimentando nada? Por que você só tem publicações nas redes sociais para oferecer?”, indaga.

A artista traça um paralelo com o racismo, problema socioestrutural causado e perpetuado pela branquitude. Em sua visão, o machismo segue o mesmo padrão, sendo causado e perpetuado pela masculinidade. 

“O feminicídio é um problema dos homens, e nós, mulheres, estamos aqui sobrevivendo como podemos. Mas quem tem a maior voz e quem é o causador do problema são os homens”, completa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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