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Maioria da população de rua vítima de agressões é negra, diz estudo

Segundo pesquisa da UFMG, o Brasil registrou 150 mil agressões contra a população de rua em dez anos
Uma moradia de pessoas em situação de rua em Brasília (DF).

Uma moradia de pessoas em situação de rua em Brasília (DF).

— Brasília (DF) 18/09/2023 – Distrito Federal é a unidade da federação com maior percentual de pessoas em situação de rua no Brasil. Os dados são do Relatório da População em Situação de Rua, divulgado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Foto: José Cruz/Agência Brasil

3 de junho de 2026

O estudo “A Cartografia Invisível: 10 anos de Violência contra a População em Situação de Rua”, divulgado na terça-feira (2) pela Agência Brasil, indica que, entre 2014 e 2023, o Brasil registrou oficialmente 150 mil casos de violência contra a população em situação de rua. 

A pesquisa, realizada pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG), destaca que, do total, 70% das vítimas nunca buscaram atendimento após serem alvos de algum tipo de agressão. 

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Os números, ressalta o levantamento, podem ser ainda maiores, considerando as subnotificações. Diariamente, ao menos 120 casos graves são reportados ao sistema de saúde, dos quais 75% demandaram intervenção médica aguda. Outros 12% das ocorrências resultaram em trauma físico grave ou morte. 

Leia mais: População em situação de rua no Brasil cresce 11% em 2025 e chega a 365,8 mil

Com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema Único de Saúde (SUS), o observatório aponta os homens negros, entre 15 e 49 anos, como as principais vítimas dos ataques, concentrando, respectivamente, 78% e 82% das notificações. 

Embora os registros de violência sejam mais frequentes entre os homens, a análise salienta que a letalidade das agressões é maior quando direcionada a mulheres ou pessoas trans. 

A pesquisa observou que fatores como deficiência, transtornos mentais, orientação sexual e identidade de gênero ampliam a vulnerabilidade dessas pessoas, especialmente em relação às violências sexuais. 

O ataque físico foi identificado como a forma mais recorrente de violência, com 65% dos casos notificados. Em seguida, destacam-se a violência psicológica (42%), a negligência e o abandono (18%), a violência sexual (15%) e a violência autoprovocada (10%). 

Segundo o levantamento, a violência contra a população em situação de rua apresentou um crescimento contínuo e preocupante desde 2013. As denúncias no Disque 100 passaram de aproximadamente 12,5 mil, em 2020, para 45,8 mil em 2023. 

Leia mais: IBGE terá 1º censo da população em situação de rua

Para os pesquisadores, a tendência é impulsionada por crises econômicas, agravamento das desigualdades sociais, insuficiência das políticas estruturais e fragilização das redes de proteção social.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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