O estudo “A Cartografia Invisível: 10 anos de Violência contra a População em Situação de Rua”, divulgado na terça-feira (2) pela Agência Brasil, indica que, entre 2014 e 2023, o Brasil registrou oficialmente 150 mil casos de violência contra a população em situação de rua.
A pesquisa, realizada pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/POLOS-UFMG), destaca que, do total, 70% das vítimas nunca buscaram atendimento após serem alvos de algum tipo de agressão.
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Os números, ressalta o levantamento, podem ser ainda maiores, considerando as subnotificações. Diariamente, ao menos 120 casos graves são reportados ao sistema de saúde, dos quais 75% demandaram intervenção médica aguda. Outros 12% das ocorrências resultaram em trauma físico grave ou morte.
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Com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema Único de Saúde (SUS), o observatório aponta os homens negros, entre 15 e 49 anos, como as principais vítimas dos ataques, concentrando, respectivamente, 78% e 82% das notificações.
Embora os registros de violência sejam mais frequentes entre os homens, a análise salienta que a letalidade das agressões é maior quando direcionada a mulheres ou pessoas trans.
A pesquisa observou que fatores como deficiência, transtornos mentais, orientação sexual e identidade de gênero ampliam a vulnerabilidade dessas pessoas, especialmente em relação às violências sexuais.
O ataque físico foi identificado como a forma mais recorrente de violência, com 65% dos casos notificados. Em seguida, destacam-se a violência psicológica (42%), a negligência e o abandono (18%), a violência sexual (15%) e a violência autoprovocada (10%).
Segundo o levantamento, a violência contra a população em situação de rua apresentou um crescimento contínuo e preocupante desde 2013. As denúncias no Disque 100 passaram de aproximadamente 12,5 mil, em 2020, para 45,8 mil em 2023.
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Para os pesquisadores, a tendência é impulsionada por crises econômicas, agravamento das desigualdades sociais, insuficiência das políticas estruturais e fragilização das redes de proteção social.