Mais da metade da lista de convocados pelo técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, para representar o Brasil na Copa do Mundo de 2026 é composta por jogadores negros.
Entre os atletas chamados para o Mundial, alguns se manifestaram publicamente após casos de discriminação racial, participaram de campanhas de conscientização ou demonstraram apoio a colegas que sofreram ataques racistas.
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Entre as manifestações individuais, Vini Jr. se tornou uma das principais vozes do combate ao racismo no futebol internacional. Desde 2023, o atacante passou a denunciar de forma recorrente os ataques sofridos por ele em estádios espanhóis e a cobrar providências de federações, clubes e organizadores de competições.
Após ser alvo de ofensas racistas durante uma partida do Campeonato Espanhol, o jogador afirmou que os episódios não representavam casos isolados e criticou a ausência de punições capazes de impedir a repetição das agressões.
Durante uma entrevista antes de um amistoso entre Brasil e Espanha, o atacante chorou ao comentar os ataques que sofreu ao longo da carreira. Na ocasião, afirmou que os episódios diminuíam sua vontade de jogar futebol, mas reforçou que continuaria denunciando o racismo.
Como ação concreta, Vinicius criou o Instituto Vini Jr., focado em usar a educação e a tecnologia para apoiar escolas públicas e crianças vulneráveis.
Outro convocado que se pronunciou publicamente sobre o tema foi Raphinha. Ao analisar os episódios envolvendo Vini Jr., o atleta afirmou compreender o desgaste causado pela repetição das agressões e declarou que situações desse tipo podem levar qualquer pessoa ao limite.
Em 2025, o jogador também denunciou um episódio que classificou como racista durante uma visita com a família a um parque temático em Paris. Segundo o relato, seu filho recebeu tratamento diferente daquele destinado a crianças brancas presentes no local.
O atacante Neymar, hoje no Santos, já se manifestou por meio de cartas abertas após sofrer insultos em campo, como no caso contra o jogador Álvaro González em 2020.
Um dos principais nomes da seleção, Neymar usou seu alcance global para humanizar o debate. Seu discurso destacou o orgulho de sua ancestralidade negra e o repúdio ao silenciamento.
Em seu manifesto, afirmou que o racismo não pode ser tratado como “coisa de momento” ou apenas uma provocação de jogo. “Eu sou negro, filho de negro, neto e bisneto de negro. Tenho orgulho e não me vejo diferente de ninguém. O racismo existe, mas temos que dar um basta”, escreveu.
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União e repúdio nas redes e em campanhas coletivas
Outros jogadores se posicionaram de forma reativa a ataques virtuais, usando a força dos clubes para exigir segurança digital.
O meio-campista Bruno Guimarães, do Newcastle, foi alvo de injúrias raciais na internet em 2023, junto com o colega Joe Willock. Ele apoiou as notas oficiais de repúdio do seu clube e endossou as cobranças para que as redes sociais identifiquem e banem usuários racistas.
Seu discurso enfatizou a solidariedade aos companheiros de equipe e a necessidade de criminalizar o racismo no ambiente virtual, muitas vezes protegido pelo anonimato.
Alguns atletas utilizaram o simbolismo e as regras das ligas onde atuam para manter o debate vivo antes de a bola rolar. Jogadores que atuam ou atuaram na Premier League, como Gabriel Magalhães (Arsenal), Casemiro (Manchester United), Alisson (Liverpool) e Ederson (Fenerbahçe) participaram do ato de ficar de joelhos antes do início das partidas na Inglaterra.

O gesto é um símbolo global de resistência derivado do movimento Black Lives Matter. A ação apoiou a campanha “No Room For Racism” (“sem espaço para o racismo”).
Embora seja um protocolo da liga, o engajamento dos atletas validou o movimento e estendeu a mensagem para os milhões de espectadores ao redor do mundo.
No futebol brasileiro, Alex Sandro (Flamengo) e Léo Pereira (Flamengo) se alinharam às campanhas da CBF, como o manifesto “Com o racismo não tem jogo“.
Os atletas usaram patches nos uniformes e participaram de vídeos institucionais. O discurso apoiou medidas drásticas no futebol nacional, como a perda de pontos para clubes cujos torcedores cometam atos racistas nos estádios.
Luta contra o racismo está presente em todas posições da seleção
O lateral-direito Wesley, do Roma, demonstrou apoio a Vini Jr. após o atacante do Real Madrid sofrer insultos racistas em partida da Champions League contra o Benfica. Wesley republicou uma mensagem oficial do Flamengo, clube no qual ambos iniciaram a carreira. A publicação trazia a frase “Vini, você não está sozinho. Estamos com você”.
O lateral-esquerdo Alex Sandro, além do engajamento institucional, defendeu Luighi, jogador do Palmeiras, vítima de racismo em jogo da Libertadores sub-20. Em entrevista, Alex Sandro afirmou ter sofrido episódios semelhantes em Portugal e na Itália durante sua passagem de mais de dez anos pela Europa.
“No Brasil e em Portugal também aconteceu tantas vezes comigo. Racismo não deveria existir, isso precisa acabar. Somos todos iguais”, declarou.
Na zaga, Danilo, também do Flamengo, publicou uma postagem antirracista em suas redes sociais após o técnico Filipe Luís classificar um caso de racismo como “isolado”.
Danilo republicou uma entrevista de 2023, concedida ainda quando jogava na Juventus, na qual discutia a importância da empatia de pessoas brancas diante de casos de injúria racial. Na legenda, escreveu “vale sempre lembrar”.
No meio-campo, Casemiro enviou à Gazeta Esportiva um posicionamento sobre os casos de racismo contra Vini Jr. Na ocasião, afirmou que, com o racismo, a tolerância é zero.
“O sentimento é de tristeza e decepção por ver, mais uma vez, uma situação de racismo com o Vini Jr. Como eu já disse anteriormente, não podemos seguir tolerando esse problema no futebol e nem em outras situações das nossas vidas”, disse.
Casemiro também criticou a LaLiga por sua inação e citou a Premier League inglesa como exemplo de combate mais efetivo ao racismo.
O meio-campista Danilo Santos, do Botafogo, participou da campanha “Camisa Invertida – Somos Um Só” em agosto de 2014, quando o Botafogo entrou em campo com faixas de apoio ao goleiro Aranha, do Santos, que havia sofrido injúrias raciais em partida pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, a ação reuniu os dois clubes no Maracanã e contou com a adesão de todo o elenco alvinegro, incluindo Danilo Santos.
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