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‘Traidor da pátria’: condenação de Eduardo Bolsonaro no STF repercute entre parlamentares negros

Ex-deputado recebeu pena de 4 anos e 2 meses por coação em ação sobre trama golpista; decisão unânime da Primeira Turma também o declarou inelegível por 12 anos
Um ativista segura uma foto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, lambendo uma bota com a bandeira dos EUA durante um protesto em defesa da soberania nacional contra as tarifas e sanções comerciais impostas pelo governo dos EUA ao Brasil, perto do consulado americano em São Paulo, Brasil, em 1º de agosto de 2025.

Um ativista segura uma foto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, lambendo uma bota com a bandeira dos EUA durante um protesto em defesa da soberania nacional contra as tarifas e sanções comerciais impostas pelo governo dos EUA ao Brasil, perto do consulado americano em São Paulo, Brasil, em 1º de agosto de 2025.

— Nelson Almeida/AFP

17 de junho de 2026

A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu entre parlamentares e autoridades negras. Nas redes sociais, as manifestações destacaram a defesa da soberania nacional, a responsabilização por atos contra as instituições e a atuação do Supremo no julgamento da trama golpista.

Por unanimidade, os ministros condenaram Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. 

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Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele atuou para influenciar o julgamento da ação penal que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

De acordo com a denúncia, o então deputado realizou declarações públicas e publicações nas redes sociais nas quais afirmou ter atuado junto ao governo dos Estados Unidos para promover sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país. 

A acusação também apontou uma conversa extraída do celular de Jair Bolsonaro na qual Eduardo orienta o pai a evitar declarações que pudessem comprometer as articulações conduzidas nos Estados Unidos.

Leia mais: ‘Traidor da Pátria’: parlamentares negros celebram imposição de medidas restritivas a Bolsonaro

PSOL associa condenação à soberania e à responsabilização

Uma das primeiras manifestações partiu da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em publicação nas redes sociais, a parlamentar classificou a decisão como uma “boa notícia” e afirmou que Eduardo Bolsonaro foi condenado por articular o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump contra o Brasil na tentativa de impedir o julgamento do pai. Para Hilton, a condenação representa “mais uma vitória da nossa soberania contra os golpistas”.

Também integrante da bancada do PSOL, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) resumiu sua avaliação em uma frase: “A história é implacável”. A parlamentar afirmou que a condenação decorre da atuação de Eduardo Bolsonaro na trama golpista.

Já o deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF) afirmou que Eduardo Bolsonaro tentou “chantagear o Brasil” para livrar o pai da prisão. Ao comentar a decisão do STF, destacou que a condenação decorre da tentativa de pressionar instituições brasileiras em benefício de Jair Bolsonaro.

A deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) adotou tom de comemoração. Em publicação nas redes sociais, celebrou a condenação e a inelegibilidade do ex-deputado, além de afirmar que a família Bolsonaro precisará responder pelos crimes atribuídos a seus integrantes.

Parlamentares do PT destacam defesa das instituições

Entre os parlamentares do PT, a defesa da soberania nacional apareceu como um dos principais argumentos.

A deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) comentou a condenação em tom de ironia. Na publicação, listou três fatos recentes envolvendo a família Bolsonaro: a condenação de Eduardo Bolsonaro, a determinação para que Jair Bolsonaro explicasse a posse de uma arma apreendida em uma blitz e pesquisas eleitorais favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao final, questionou seus seguidores se estavam conseguindo acompanhar os acontecimentos.

A deputada estadual mineira Andreia de Jesus (PT-MG) destacou a condenação unânime e a pena fixada pelo Supremo. Em sua manifestação, afirmou que Eduardo Bolsonaro deverá responder pelos crimes cometidos e classificou o ex-parlamentar como integrante de uma “familícia”.

No Rio Grande do Sul, a deputada estadual Laura Sito (PT-RS) afirmou que a decisão demonstra que quem atua contra a democracia e contra os interesses do país precisa responder por seus atos. A parlamentar também classificou Eduardo Bolsonaro como “traidor da pátria”.

Também pelo Rio de Janeiro, a ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco (PT-RJ) classificou Eduardo Bolsonaro como “traidor da pátria”. Em sua publicação, afirmou que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e buscar sanções contra o Brasil.

Anielle também destacou os efeitos da condenação. Entre eles, citou a pena de quatro anos e dois meses de prisão, a inelegibilidade por 12 anos, a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a multa de R$ 162 mil. Para a ex-ministra, quem conspirou contra a democracia e trabalhou contra os interesses do país precisa responder por seus atos.

Benedita da Silva destoa do tom comemorativo

Entre as manifestações, a da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) apresentou um tom diferente. Pré-candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, a parlamentar afirmou que não comemora decisões desse tipo, embora considere a condenação justa.

Em sua publicação, Benedita declarou que não sente satisfação ao ver o país envolvido em situações dessa natureza, mas ressaltou que Eduardo Bolsonaro “traiu a pátria” ao atuar nos Estados Unidos para articular sanções econômicas, tarifas e pressões contra ministros do STF com o objetivo de beneficiar Jair Bolsonaro.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também comentou a decisão. Em tom de ironia, afirmou que Eduardo Bolsonaro terá de escolher entre permanecer ao lado de Donald Trump nos Estados Unidos ou cumprir pena no Brasil.

Leia mais: Organizações negras pedem cassação de Eduardo Bolsonaro em abaixo-assinado

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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