Os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) deixaram ao menos 920 mortos, segundo o mais recente balanço oficial, que foi divulgado na tarde desta sexta-feira (26) pelo governo do país. As operações de busca continuam nas áreas mais afetadas, onde milhares de pessoas ainda são consideradas desaparecidas e equipes de resgate tentam localizar sobreviventes entre os escombros.
Os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o norte da Venezuela com menos de um minuto de intervalo. O segundo tremor foi o mais intenso registrado no país desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
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Embora a Venezuela esteja localizada em uma área de atividade sísmica, especialistas apontam que o país não registrava um terremoto dessa magnitude desde 1997.
A região de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas, concentra parte da destruição. Prédios desabaram, ruas ficaram cobertas por destroços e bairros inteiros sofreram danos. Na capital venezuelana, equipes de resgate também atuam em edifícios que ruíram durante os tremores.
O número de vítimas aumentou de forma significativa desde os primeiros levantamentos. Na quinta-feira (25), o governo havia confirmado 235 mortes. Na manhã desta sexta-feira, a presidente interina Delcy Rodríguez atualizou que o número havia chegado a 589 mortos e 2.980 feridos.
Apesar da revisão oficial no número de feridos, autoridades e especialistas alertam que os dados ainda podem sofrer alterações à medida que as equipes conseguem acessar novas áreas atingidas.
Outro fator que amplia a preocupação é a quantidade de desaparecidos. Um portal criado por voluntários venezuelanos para reunir informações sobre pessoas não localizadas contabiliza quase 50 mil registros de familiares que perderam contato com parentes após os terremotos.
Segundo Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, mais de 200 pessoas permaneciam presas sob os escombros no levantamento divulgado pelo governo.
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Tremores foram sentidos em países vizinhos
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 no horário local. Cerca de um minuto depois, um segundo abalo, ainda mais intenso, voltou a atingir o norte venezuelano. A força dos tremores ultrapassou as fronteiras do país e foi sentida em regiões da Colômbia e do norte do Brasil.
Segundo as autoridades brasileiras, não houve mortos, feridos ou prejuízos estruturais relacionados aos tremores em território nacional.
As operações de resgate seguem em ritmo lento diante da dimensão da destruição. Em diversos pontos, socorristas utilizam escavadeiras, guindastes e equipamentos de corte para remover estruturas de concreto. Em outros locais, o trabalho ocorre manualmente para evitar novos desabamentos e aumentar as chances de encontrar sobreviventes.
Relatos divulgados pela imprensa venezuelana mostram equipes interrompendo os trabalhos em diversos momentos para tentar ouvir pedidos de socorro vindos debaixo dos escombros.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que ao menos 17 países mobilizaram equipes de busca e salvamento para apoiar a resposta humanitária.
Desde os terremotos principais, autoridades registraram mais de 130 tremores secundários, situação que dificulta o trabalho das equipes e aumenta o risco para moradores e profissionais envolvidos nos resgates.

Brasil envia missão humanitária
O governo brasileiro anunciou o envio de uma missão humanitária para apoiar as operações de busca e salvamento na Venezuela.
Coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a operação reúne agentes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), bombeiros militares especializados em estruturas colapsadas e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Ao todo, a missão conta com três servidores da Sedec, quatro técnicos da Anatel e 37 bombeiros militares dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. A equipe também leva cães farejadores, uma caminhonete e cerca de dez toneladas de equipamentos destinados às operações de resgate.
Segundo o diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Sedec, Armin Braun, a atuação brasileira inclui tecnologias capazes de auxiliar na localização de vítimas.
“Estamos indo com bombeiros especializados em resgates em estruturas colapsadas, além de cães treinados. Também levaremos técnicos da Anatel para ajudar na identificação de celulares que ainda possam estar ligados, o que vai auxiliar nas operações de busca”, detalhou em comunicado governamental.