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Quilombo no Rio Grande do Sul sofre com abandono institucional; CONAQ cobra autoridades

CONAQ afirma que incêndio, conflitos fundiários e ausência de políticas públicas ameaçam a permanência do quilombo Von Bock no território
Uma mulher quilombola de costas.

Uma mulher quilombola de costas.

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

21 de julho de 2026

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) denunciou, em nota pública publicada na segunda-feira (20), o contexto de violações de direitos e abandono institucional da comunidade quilombola Von Bock, em São Gabriel (RS). 

Segundo a entidade, a comunidade, que resiste há mais de um século, enfrenta uma sequência de ataques e episódios de violência que comprometem a permanência no território e ameaçam sua existência coletiva. 

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O documento informa que, de acordo com relatos, uma família quilombola foi retirada de sua casa em dezembro de 2025, após sucessivas ameaças decorrentes de conflitos fundiários. 

No dia seguinte, a residência mais antiga da comunidade foi destruída por um incêndio. Desde então, os moradores não conseguiram reconstruir a moradia. 

Leia mais: Número de eleitores indígenas e quilombolas cresce e quase dobra em 2026

Os quilombolas também denunciam a falta de respostas efetivas das autoridades na investigação do caso. Além disso, a comunidade enfrenta uma dívida superior a R$ 3 mil junto à concessionária de energia elétrica, pelos prejuízos causados no incêndio. 

A nota ainda destaca restrições no acesso à água e dificuldades relacionadas ao transporte público e ressalta que as violações configuram racismo institucional contra os povos tradicionais. 

“É inaceitável que comunidades quilombolas continuem sendo submetidas à violência, ao abandono e à negação de direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal e pelos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário”, diz trecho do comunicado. 

Em resposta, a CONAQ exige a apuração rigorosa dos fatos denunciados pelas autoridades responsáveis e a responsabilização dos envolvidos, além da proteção das famílias quilombolas e suas lideranças. 

A organização também solicita apoio para a reparação dos danos sofridos pela família atingida, a garantia da permanência da comunidade no território e o acesso imediato à água, energia elétrica e outros serviços essenciais.  

Leia mais: O que a trajetória das mulheres da CONAQ revela sobre o impacto do financiamento direto

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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