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Jornalista da Alma Preta relata em evento em SP os desafios de cobrir a guerra na RD Congo

País africano rico em minérios vive conflito há mais de 30 anos, com 7,4 milhões de deslocados
Soldados do M23 são vistos enquanto uma multidão se reúne no Stade de l'Unite'(Estádio da Unidade) em Goma, em 6 de fevereiro de 2025, durante uma reunião pública convocada pelo grupo armado. O movimento quebrou o acordo de cessar-fogo, anunciado um dia antes, e segue com ofensivas no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Soldados do M23 são vistos enquanto uma multidão se reúne no Stade de l'Unite'(Estádio da Unidade) em Goma, em 6 de fevereiro de 2025, durante uma reunião pública convocada pelo grupo armado. O movimento quebrou o acordo de cessar-fogo, anunciado um dia antes, e segue com ofensivas no leste da República Democrática do Congo (RDC).

— Jospin Mwisha/AFP

17 de março de 2026

O editor e cofundador da Alma Preta, Pedro Borges, participa nesta quarta-feira (18) do Encontros no Quintal, em São Paulo. 

Responsável pela cobertura jornalística realizada pela Alma Preta na República Democrática do Congo (RDC), o especialista vai compartilhar suas experiências no território, além de reflexões sobre o processo de apuração e os desafios enfrentados durante o trabalho em zona de conflito.

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A conversa será a partir das 19h30, no Bar do Beco, na Vila Madalena. A atividade é aberta ao público.

O conflito armado no leste da RDC já provocou a morte de pelo menos 17.015 pessoas e deslocou 7,4 milhões de civis, segundo relatório divulgado pelo governo congolês em fevereiro deste ano. 

Os números, apresentados pelo ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba Kabuya, registram 15.769 execuções, 829 sequestros e 417 casos de tortura e outros tratamentos desumanos nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas sob controle de forças ruandesas e dos rebeldes da aliança AFC/M23.

O documento aponta ainda o deslocamento forçado de aproximadamente 7,4 milhões de pessoas, entre deslocados internos e refugiados em países vizinhos. As cidades de Goma e Bukavu, capitais provinciais de Kivu do Norte e Kivu do Sul, estão entre as regiões mais afetadas pelas violações, que incluem a destruição sistemática de propriedades privadas.

Riqueza mineral e disputas territoriais

A RDC é um dos países mais ricos em minérios do mundo, com reservas expressivas de coltan, cobalto, cobre, lítio e ouro. A nação já foi descrita pela diplomacia brasileira como uma “aberração geológica” pela abundância e diversidade de recursos minerais em seu subsolo, conforme relatado em reportagem da Alma Preta.

Em abril de 2024, o governo congolês notificou a Apple por extrair minérios “explorados ilegalmente” do país em processos marcados por violações de direitos humanos. Segundo apuração da AFP, a empresa se beneficiaria do translado de minérios para Ruanda, país vizinho acusado de apoiar os rebeldes do M23. A queixa-criminal foi apresentada na Bélgica e na França contra subsidiárias da gigante de tecnologia, a acusando de utilizar “minerais de sangue” em sua cadeia de produção.

O conflito também afeta a Floresta Tropical do Congo, a segunda maior do mundo, atrás somente da Amazônia. A guerra na região gera impactos diretos na fauna e na flora local, com aumento do desmatamento, caça ilegal e extração madeireira descontrolada.

Serviço

Encontros no Quintal com Pedro Borges (Alma Preta)

Quando: 18 de março de 2026 (quarta-feira)

Horário: 19h30

Onde: Bar do Beco — Rua Aspicuelta, 17, Vila Madalena – São Paulo (SP)

Atividade aberta ao público

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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